Por que alguns caminhoneiros sentem medo de encontrar a PRF?
A desconfiança de caminhoneiros em relação à Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem um registro público. Em 7 de abril de 2025, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) divulgou um abaixo-assinado da Fenttrocar contra o que a entidade chamou de perseguição aos profissionais do transporte de cargas.
A publicação mencionava denúncias de agressões e abuso de autoridade. Naquele momento, a Fenttrocar representava oito sindicatos do Norte e Nordeste. A queixa colocava em discussão o tratamento recebido pelos trabalhadores no contato com a polícia. As acusações são da entidade e não equivalem a uma comprovação de abuso.
Uma leitura possível dessa cobrança é que o receio vai além do valor de uma multa. Quando o motorista acredita que pode ser maltratado, a abordagem passa a ser motivo de tensão, mesmo antes de qualquer conversa. Explicar o motivo da parada e esclarecer dúvidas são formas de tornar o contato mais claro para quem está trabalhando e precisa seguir viagem com a carga.
Essa distância pode atrapalhar um pedido de ajuda. Se o caminhoneiro evita procurar uma equipe após sofrer uma ameaça, por medo do atendimento, corre o risco de ficar sem apoio naquele momento.
Não foi localizada, nas fontes consultadas, uma pesquisa nacional que mostre quantos caminhoneiros têm medo da PRF ou deixam de buscar socorro por esse motivo. O abaixo-assinado registra a insatisfação de uma entidade, sem permitir estender essa percepção a toda a categoria.
De acordo com as competências publicadas pela própria PRF, o trabalho inclui fiscalização, atendimento de acidentes, salvamento de vítimas e combate a crimes, como roubos de veículos e cargas. Aplicar multas faz parte das atribuições, assim como proteger quem usa as rodovias federais. A instituição também atua com educação para o trânsito e medidas para garantir a circulação.
Há ações voltadas diretamente aos motoristas. Em 23 de julho de 2026, a PRF realizou o Comando de Saúde Preventivo com a Secretaria de Saúde de Jacareí, a CCR e o SEST SENAT. Segundo a prefeitura, a atividade buscou orientar os condutores sobre cuidados com a saúde e a relação desses cuidados com a segurança ao volante.
Para reclamar do atendimento ou denunciar uma conduta, a PRF disponibiliza a Ouvidoria, acessível pela plataforma Fala.BR. O órgão também informa o endereço ouvidoria@prf.gov.br para contato. Em emergências, como acidentes e crimes em andamento, o telefone indicado pela corporação é o 191. A Ouvidoria não substitui esse atendimento.
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