Falta caminhoneiro, mas vendas de caminhões sobem 9% em agosto
O Brasil emplacou 9.603 caminhões novos em agosto de 2026, crescimento de 9,05% sobre o mesmo mês do ano passado. A compra de veículos acontece enquanto transportadoras relatam dificuldade para encontrar motoristas. Mas os números ainda não mostram aumento das vendas no acumulado do ano.
De janeiro a agosto, foram registrados 68.819 caminhões, contra 72.259 nos primeiros oito meses de 2025. A diferença representa queda de 4,76%, ou 3.440 unidades a menos. Os dados são da Fenabrave, publicados pela Agência Transporte Moderno.
A comparação com julho também foi negativa. Naquele mês, o país havia emplacado 11.193 caminhões. Com isso, agosto terminou com recuo de 14,21%. Houve crescimento frente a agosto de 2025, quando foram registrados 8.806 veículos, mas perda de ritmo em relação ao mês anterior.
Do lado das contratações, um levantamento da NTC&Logística sobre o setor em 2025, divulgado em março de 2026, apontou que 88% das empresas pesquisadas tinham dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as transportadoras que informaram ter veículos parados, a média era de oito caminhões por empresa, conforme reportagem da MundoLogística.
Esse percentual se refere às empresas ouvidas na pesquisa. Não significa que 88% dos caminhões brasileiros estejam sem motorista, nem permite calcular quantas vagas estão abertas hoje no país.
Também não é possível tratar cada caminhão vendido como uma nova vaga de trabalho. Uma compra pode substituir um veículo antigo e manter o mesmo condutor na operação. O total de emplacamentos, sozinho, não separa renovação de frota de aumento da quantidade de caminhões em serviço.
Na avaliação divulgada pela Fenabrave em setembro, o programa MOVE tem ajudado a conter a queda em segmentos como caminhões, ônibus e implementos. A entidade também aponta que o custo do crédito permanece elevado, apesar da redução gradual dos juros.
Os levantamentos medem questões diferentes e não demonstram quanto a falta de profissionais interfere diretamente nas vendas. Eles mostram compras de veículos novos ocorrendo ao mesmo tempo em que parte das empresas enfrenta dificuldade para preencher postos de trabalho.
Na pesquisa da NTC&Logística, 61,2% das participantes disseram não ter comprado veículos nos 12 meses anteriores. Para 2026, 61,5% não pretendiam renovar a frota. Já o investimento em treinamento e capacitação estava nos planos de 92,6% das empresas ouvidas.
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