Caminhoneiro de SC recebe refúgio na Argentina após pedido de extradição de Moraes
O caminhoneiro catarinense Joel Borges Corrêa, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 13 anos e seis meses de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, recebeu refúgio na Argentina em março de 2026. Ele havia deixado o Brasil e era alvo de um pedido de extradição solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes.
A concessão foi comunicada em 10 de março pela Comissão Nacional para Refugiados da Argentina, a Conare. Na ocasião, o advogado Pedro Gradín afirmou que a decisão deveria levar à suspensão do processo que poderia trazer o brasileiro de volta ao país para cumprir a pena. A informação foi publicada pelo El País.
Morador de Tubarão, no Sul de Santa Catarina, Joel trabalhava como caminhoneiro desde 1997. Casado e pai de dois filhos, ele relatou à Gazeta do Povo que passou cerca de sete meses preso na Papuda, em Brasília, depois dos acontecimentos na capital federal.
Ao conseguir liberdade provisória, em agosto de 2023, voltou para Santa Catarina com tornozeleira eletrônica e passou a trabalhar como motorista de aplicativo. A condenação pelo STF veio em fevereiro de 2024. Depois disso, decidiu sair do Brasil.
Já em território argentino, pediu proteção às autoridades locais, alegando perseguição política. Segundo seu relato, apresentou documentos e passou por entrevista durante a análise do pedido.
A família contesta sua participação em atos de destruição. Em depoimento publicado pelo Bureau de Comunicação, a esposa, Míriam Cristina Alves Corrêa, afirmou que ele não depredou os prédios públicos. Ela também relatou que o marido viajou para Brasília enquanto o caminhão estava parado para conserto.
Essa é a versão apresentada pela família. A condenação registrada pelo STF foi por participação nos ataques do 8 de Janeiro. Os relatos familiares, por si só, não demonstram erro na decisão judicial.
Joel voltou a ser preso em novembro de 2024, durante uma fiscalização na província argentina de San Luis. Seu nome estava entre os brasileiros procurados após os pedidos de extradição relacionados aos ataques às sedes dos Três Poderes.
De acordo com a Rádio Guaíba, com informações do R7, a sentença também estabeleceu 100 dias-multa, cada um equivalente a um terço do salário mínimo. O pedido para que ele retornasse ao Brasil foi apresentado após solicitação de Moraes, relator das ações sobre o 8 de Janeiro.
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