Após promessa de preservar os Correios, governo Lula enfrenta greve e crise bilionária na estatal
Em 2022, durante a campanha presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não privatizaria os Correios caso voltasse à Presidência. A empresa permaneceu estatal, mas, quatro anos depois, enfrenta uma combinação difícil: prejuízos bilionários, reestruturação financeira e funcionários em greve por tempo indeterminado.
A paralisação começou às 22h do dia 10 de setembro de 2026, após assembleias de trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada nas negociações do acordo coletivo. Um dos principais pontos de conflito é o plano de saúde dos funcionários, aposentados e dependentes.
Os Correios afirmam que tentaram preservar a maior parte das cláusulas do acordo anterior e defendem mudanças como necessárias diante da situação financeira da companhia. A empresa havia recorrido ao Tribunal Superior do Trabalho, que determinou a manutenção de 80% do efetivo durante a greve, considerando o caráter essencial do serviço.

A greve chega justamente quando a estatal tenta colocar de pé um plano de recuperação.
No segundo trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões. Apesar de o resultado representar melhora de 24,4% em relação ao prejuízo de R$ 3,16 bilhões do primeiro trimestre, a própria empresa reconhece que a situação financeira continua desafiadora.
Para reforçar o caixa e reorganizar dívidas, a companhia contratou uma operação de crédito de R$ 12 bilhões com garantia da União, além de implementar medidas de redução de despesas, revisão de contratos e reorganização da estrutura.
O contraste chama atenção porque a defesa dos Correios públicos foi uma das posições adotadas por Lula antes de assumir o terceiro mandato. Em 2022, ele declarou que empresas como Correios, Banco do Brasil e Caixa não seriam privatizadas em seu governo.
Manter uma estatal pública, porém, é diferente de conseguir torná-la financeiramente saudável. Esse passou a ser o problema colocado sobre a mesa.
O governo e a direção da empresa defendem a recuperação e a modernização dos Correios. Já os trabalhadores argumentam que o ajuste financeiro não pode retirar direitos, especialmente mudanças no plano de saúde. Do lado dos consumidores, a paralisação já provoca relatos de atrasos em encomendas e problemas no rastreamento, enquanto os Correios realizam mutirões e remanejamento de cargas para tentar reduzir os impactos.
A promessa de não privatizar foi cumprida até aqui. O desafio que permanece é outro: fazer a empresa recuperar as contas sem comprometer trabalhadores e serviços prestados à população.
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