Lula eleva Bolsa Família para R$ 691 próximo às eleições após enviar Orçamento de 2027 sem reajuste
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, pouco mais de duas semanas antes do primeiro turno das eleições de 2026. Com a mudança, o valor mínimo pago por família passará de R$ 600 para R$ 691.
O anúncio ocorre apenas 17 dias depois de o governo enviar ao Congresso a proposta de Orçamento de 2027 sem prever aumento no benefício. No documento entregue em 31 de agosto, foram reservados R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família, mantendo o piso de R$ 600.
Na apresentação do Orçamento, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, chegou a dizer que não havia previsão de reajuste. Agora, com a nova decisão, o governo precisará incorporar o gasto adicional às contas de 2027 durante a tramitação do projeto no Congresso.
O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e cerca de R$ 22,7 bilhões em 2027. A equipe econômica afirma que existem recursos para acomodar o aumento sem alterar as metas fiscais previstas pelo governo.
O decreto assinado por Lula determina que a correção considere o INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026. Além do piso subir para R$ 691, outros valores pagos dentro do programa também serão atualizados. O benefício médio, atualmente próximo de R$ 675, deve chegar a cerca de R$ 777.
Os novos valores começam a produzir efeitos financeiros em outubro. Com isso, os pagamentos reajustados ocorrerão durante o período eleitoral. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, enquanto os primeiros repasses com os novos valores estão previstos para começar em 19 de outubro.
A proximidade do anúncio com a eleição provocou críticas de adversários políticos, que classificaram a medida como eleitoral. O governo rejeita essa interpretação e afirma que o aumento é uma atualização monetária autorizada pela legislação do Bolsa Família e baseada na inflação acumulada desde a reformulação do programa em 2023.
Comentários
0