Por que algumas transportadoras proíbem camisa de time e de político dentro da empresa?
O caminhoneiro chega para carregar usando a camisa do seu clube ou uma camiseta com referência a um candidato e recebe a orientação para trocar de roupa. A situação pode parecer estranha, mas algumas transportadoras adotam regras que impedem o uso de peças relacionadas a futebol e política dentro de suas dependências.
Um dos principais motivos é evitar conflitos entre funcionários.
Futebol envolve rivalidades históricas, principalmente em cidades onde dois ou mais clubes possuem grandes torcidas. Uma brincadeira entre colegas pode acabar virando discussão dentro do pátio, oficina, refeitório ou área de descanso.
Com política, a preocupação costuma ser ainda maior. Em períodos eleitorais, opiniões diferentes podem provocar discussões e criar problemas entre funcionários, prestadores de serviço e até clientes.
Por isso, algumas empresas preferem adotar uma regra simples: durante o trabalho, uniforme da transportadora ou roupa neutra.
Empresa pode determinar como o caminhoneiro deve se vestir?
A CLT permite que o empregador estabeleça o padrão de vestimenta utilizado no ambiente de trabalho.
O artigo 456-A determina que cabe ao empregador definir esse padrão e permite inclusive a colocação de logomarcas da própria empresa, de parceiros e de elementos de identificação relacionados ao serviço.
Isso significa que uma transportadora pode exigir uniforme e estabelecer regras de apresentação enquanto o funcionário estiver trabalhando.
Para o motorista, existe ainda uma questão prática.
Caminhoneiros entram diariamente em fábricas, centros de distribuição, portarias, depósitos e instalações de clientes. A roupa padronizada facilita a identificação de quem pertence à empresa e evita que uma camiseta usada pelo funcionário seja confundida com uma posição oficial da transportadora.
Proibir política é diferente de escolher candidato pelo funcionário
Existe um limite importante nessa regra.
A empresa pode estabelecer uma política de vestimenta neutra, mas não pode transformar isso em instrumento para pressionar funcionários a apoiar ou rejeitar determinado candidato ou partido.
O Ministério Público do Trabalho afirma que o diálogo político entre trabalhadores é diferente de assédio eleitoral. Segundo o órgão, o empregador não pode usar sua posição hierárquica para impor convicções políticas nem utilizar o ambiente empresarial para pressionar a escolha eleitoral dos trabalhadores.
O Tribunal Superior do Trabalho também já considerou abusiva a interferência patronal na orientação política de empregados em caso envolvendo campanha político-partidária ostensiva no ambiente de trabalho.
E a camisa de futebol?
No caso das camisas de clubes, não existe uma lei trabalhista específica proibindo seu uso.
A restrição normalmente vem do regulamento interno da empresa e do padrão de uniforme adotado.
Uma transportadora pode entender, por exemplo, que não quer motoristas trabalhando com camisas de Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Vasco ou qualquer outro clube. Nesse caso, a regra pode valer para todos, independentemente do time.
O mesmo raciocínio pode ser usado para camisetas com frases ofensivas, conteúdo partidário ou outras mensagens que a companhia não queira associadas à sua imagem.
Para quem trabalha na estrada, isso explica por que algumas empresas são bastante rígidas: durante a jornada, o motorista não representa apenas a si mesmo. Em boa parte das operações, ele também é a pessoa que apresenta a transportadora diante do cliente.
Comentários
0