
Durante a campanha presidencial e nos primeiros meses de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu “abrasileirar o preço dos combustíveis”, uma expressão que gerou esperança entre caminhoneiros, motoristas e consumidores em geral. A ideia era clara: desvincular os preços internos da política internacional do petróleo, especialmente a dolarização dos combustíveis, que vinha sendo adotada pela Petrobras desde 2016.
Passado mais de um ano de mandato, a realidade nas bombas segue praticamente a mesma. O preço do diesel e da gasolina continua sujeito às variações do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional, e os reajustes, mesmo que mais espaçados, ainda causam impacto direto no bolso da população.
Assista o vídeo:
A promessa de “abrasileirar” o preço dos combustíveis surgiu como resposta às críticas à Política de Preço de Paridade de Importação (PPI), adotada durante o governo Temer e mantida até 2023. O modelo fazia com que o preço dos combustíveis fosse calculado com base no valor do petróleo em dólar e no custo de importação, mesmo com o Brasil sendo um país produtor de petróleo.
Na campanha, Lula defendeu que a Petrobras voltasse a priorizar o mercado interno e os consumidores brasileiros, utilizando critérios de custo nacional e capacidade de produção própria. A promessa agradou especialmente caminhoneiros, categorias de transporte e setores da indústria que vinham sendo duramente impactados pela alta nos combustíveis.
Em maio de 2023, a Petrobras anunciou o fim oficial da PPI, substituindo-a por uma política interna “mais flexível”, com foco na competitividade nacional. No entanto, na prática, os preços seguiram sendo influenciados pelos mesmos fatores internacionais, como câmbio e cotação do barril.
Em várias ocasiões desde então, o diesel voltou a subir nos postos, afetando diretamente o setor de transporte e pressionando a inflação em cadeia. A gasolina, por sua vez, também apresentou oscilações que seguem incomodando os consumidores.
Ou seja, a mudança prometida ainda não se concretizou de forma efetiva no dia a dia da população.
Caminhoneiros e lideranças da categoria, que foram um dos grupos mais diretamente afetados pela política de preços anterior, hoje cobram coerência do governo. Muitos relatam frustração com a ausência de medidas concretas para garantir estabilidade no custo do diesel, que representa mais da metade do custo operacional do frete.
“Disseram que iam abrasileirar o combustível, mas só mudou o discurso. Na prática, a bomba continua apertando o nosso bolso”, afirma Roberto Gomes, caminhoneiro autônomo que roda pelas regiões Sul e Sudeste.
Nos bastidores, há resistência dentro da Petrobras para aplicar uma política de preços puramente nacional, com receio de prejudicar investidores e abrir margem para prejuízos operacionais. A estatal também enfrenta pressão do mercado financeiro para manter sua rentabilidade, o que dificulta interferências diretas nos preços.
A promessa de “abrasileirar” os combustíveis ainda não saiu do campo das palavras para a realidade concreta. A população segue pagando preços que oscilam com o mercado externo, e os caminhoneiros, em especial, continuam pressionados pelos custos altos do transporte.
Com novas eleições municipais se aproximando e a pressão popular crescendo, o governo deve enfrentar cobranças ainda mais duras por cumprir uma de suas principais promessas de campanha — uma promessa que, até agora, segue apenas no discurso.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 17 de maio de 2025 21:42
O transporte rodoviário é uma das principais bases da economia brasileira. Grande parte dos alimentos, combustíveis, máquinas, medicamentos e produtos…
Quadrilha é descoberta com desmanche clandestino de caminhões após caminhoneiro ser sequestrado na Régis BittencourtUm caminhoneiro sequestrado na Rodovia Régis…
Fiscalização em Farroupilha encontrou irregularidade no sistema de emissão de poluentes de caminhão diesel Fiscalização encontra irregularidade em caminhão na…
Fiscalização da PRF no Tocantins encontrou caminhão com mandado de busca e apreensão durante abordagem na rodovia Caminhão é parado…
A dificuldade para encontrar motoristas se tornou um dos maiores desafios do setor de RH das transportadoras em várias regiões…
A vida do caminhoneiro dentro de uma transportadora exige atenção não só na estrada, mas também nas regras da empresa.…
Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdos, analisar acessos e exibir anúncios relevantes. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Cookies e Política de Privacidade do Brasil do Trecho
Leia mais