
Foto 01: Reprodução de vídeo - Foto2: Wagner Malagrine/
O programa de renovação de frota de veículos pesados, criado para modernizar o transporte no Brasil e aumentar a segurança nas rodovias, não saiu do papel como o esperado. Anunciado com entusiasmo por governos anteriores e aguardado com esperança por caminhoneiros e empresas, o plano tinha como objetivo tirar de circulação veículos antigos, inseguros e poluentes — mas até hoje enfrenta entraves que travaram sua efetivação.
O Programa de Aceleração da Renovação de Frota (Renovar), lançado oficialmente em 2023, prometia oferecer incentivos para que caminhoneiros autônomos e transportadoras pudessem trocar caminhões antigos por modelos mais novos, mais eficientes e menos poluentes. A ideia incluía o pagamento de um valor em troca do caminhão usado, que seria inutilizado e retirado de circulação.
Entretanto, o que parecia promissor foi rapidamente paralisado por questões burocráticas, falta de verba e baixa adesão. O programa exigia a entrega de veículos com mais de 30 anos para desmonte, e em troca oferecia créditos para compra de veículos novos. O problema é que o valor repassado — em média, R$ 30 mil — era insuficiente diante do alto custo de um caminhão novo, que pode ultrapassar R$ 500 mil.
Outro fator foi a desconfiança dos caminhoneiros. Muitos hesitaram em entregar seus únicos meios de sustento sem garantia real de acesso ao financiamento de um novo veículo. Além disso, houve pouca divulgação e falta de articulação com bancos públicos para facilitar os créditos.
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) e entidades ligadas ao setor cobraram mais efetividade do governo federal, alegando que a frota envelhecida — com caminhões acima de 20 anos representando quase 30% dos veículos de carga — é um risco constante nas estradas e um problema ambiental.
Enquanto isso, países como Chile, México e Estados Unidos avançam em políticas de incentivo à renovação de frota com subsídios reais e programas consistentes, reforçando a competitividade de seus setores logísticos.
Atualmente, o Renovar permanece em fase de revisão. O governo federal, por meio do Ministério dos Transportes e do BNDES, promete uma nova proposta para 2025, que incluiria parcerias com montadoras, incentivos ambientais e novas linhas de crédito. Mas, por enquanto, a renovação de frota no Brasil continua sendo uma promessa adiada — e o transporte pesado segue rodando sobre rodas envelhecidas.
Motoristas relatam dificuldade para carregar depois de bloqueios em gerenciadoras de risco, muitas vezes sem saber o motivo e sem…
Falta de motoristas no transporte espanhol abre espaço para profissionais estrangeiros, mas a rotina exige preparo, documento certo e muita…
Muitos filhos de caminhoneiros estão deixando a boleia de lado por causa da rotina pesada, da espera, dos riscos e…
Com frete apertado, custos altos e pouca valorização, a profissão que já foi sonho de muita gente hoje assusta quem…
Dados da ANTT mostram que SP lidera com folga nas viagens registradas por CIOT, mas isso não significa frete fácil…
Números da ANTT indicam crescimento nas operações registradas de frete, mas a rotina do caminhoneiro ainda segue apertada. Fretes aumentaram…
Este site utiliza cookies.