Estradas

BR-230 e BR-319: promessas de asfalto que nunca saem do papel

A BR-230 (Transamazônica) e a BR-319 são exemplos clássicos de como grandes obras de infraestrutura no Brasil podem se arrastar por décadas sem conclusão. Inauguradas com a promessa de integrar regiões isoladas, elas continuam, em grande parte, sem asfalto — entrando governo e saindo governo, sempre com discursos de retomada, mas sem resultado concreto.

A Transamazônica (BR-230)

Lançada na década de 1970, no governo Médici, a Transamazônica tinha o objetivo de ligar o Nordeste ao Amazonas, cruzando a floresta e promovendo o desenvolvimento regional. Mais de 50 anos depois, longos trechos continuam de terra batida, com buracos, poeira e atoleiros no período de chuvas.
Moradores e caminhoneiros que dependem da rodovia enfrentam viagens longas, perigosas e caras, além do isolamento de comunidades inteiras durante o inverno amazônico.

A BR-319

Ligando Manaus (AM) a Porto Velho (RO), a BR-319 é considerada uma das rodovias mais esquecidas do país. Criada para integrar o Amazonas ao restante do Brasil por via terrestre, passou a maior parte de sua história praticamente abandonada.
Mesmo com projetos e licitações anunciados por diversos governos, o asfalto nunca avançou de forma definitiva. Na época da seca, a poeira toma conta; na chuva, a lama transforma o trajeto em um desafio quase intransponível.

Promessas que se repetem

De presidentes a ministros dos Transportes, de deputados a governadores, a promessa de “asfaltar de ponta a ponta” as duas rodovias é frequente em épocas de eleição. Porém, na prática, o que se vê são obras parciais, licitações suspensas, embargos ambientais e orçamentos cortados.
Enquanto isso, quem vive e trabalha nessas regiões sente na pele os impactos da falta de infraestrutura: prejuízos no transporte de mercadorias, dificuldades de acesso a serviços de saúde e educação e retração econômica.

Custo do abandono

Além de prejudicar o desenvolvimento local, a precariedade das rodovias encarece o frete, aumenta o preço dos produtos e compromete a segurança. Caminhoneiros relatam que trechos de 200 km podem levar mais de 12 horas para serem percorridos.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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