Denuncias da Estrada

Caminhoneiros denunciam jornadas de até 15 horas: “pressão dos contratantes obriga a seguir dias sem dormir”

O Brasil do Trecho ouviu caminhoneiros de diferentes regiões do país e o relato é unânime: a pressão de empresas contratantes para que entregas sejam feitas em prazos cada vez mais curtos tem levado motoristas a jornadas de trabalho exaustivas. Alguns afirmam dirigir mais de 15 horas por dia e, em situações extremas, passar noites seguidas sem dormir.

Pressão que ultrapassa os limites

Um caminhoneiro que pediu para não ser identificado relatou:

“O contratante quer a carga no destino em menos tempo do que é possível. Se não fazemos, corremos o risco de perder o frete. Então a gente se sacrifica, porque no fim do mês é a conta da família que pesa”.

Outro motorista reforçou que a pressão não vem apenas de prazos, mas também da remuneração:

“O valor do frete é baixo. Se não entregar rápido, não compensa. É trabalhar muito para ganhar pouco”.

O que diz a lei

A Lei do Motorista (13.103/2015) estabelece que os caminhoneiros só podem dirigir por até 8 horas diárias, podendo ser estendido para 10 horas, desde que haja acordo escrito. Além disso, o descanso de 11 horas por dia é obrigatório.

Na prática, porém, a lei raramente é respeitada. Dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) mostram que a fadiga está entre as principais causas de acidentes em rodovias, responsável por cerca de 20% das ocorrências fatais envolvendo caminhões no Brasil.

Risco para todos

Além do impacto na saúde dos motoristas, que relatam problemas de coluna, estresse e uso excessivo de energéticos para se manter acordados, o perigo se estende a todos os usuários das rodovias.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) já alertou em relatórios que a falta de pontos de parada adequados e a cobrança por prazos irreais criam um ambiente de alto risco nas estradas.

Caminhoneiros pedem fiscalização

Os motoristas ouvidos pelo Brasil do Trecho afirmam que a solução passa por fiscalização mais rigorosa e valorização do frete.

“Não adianta ter lei se ninguém fiscaliza. Enquanto isso, quem paga é o caminhoneiro, que arrisca a vida e ainda leva a culpa quando acontece acidente”, destacou um dos entrevistados.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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