
O Porto de Santos conta com mais de 30 caminhões movidos a GNC. Foto: Paulo Whitaker/Reuters.
O setor de transporte rodoviário de cargas, que já enfrenta altos custos com combustíveis e manutenção, agora encara dois novos desafios que podem mexer diretamente na operação das empresas: o chamado “tarifaço” e a crescente escassez de mão de obra qualificada.
Especialistas alertam que o impacto será sentido principalmente pelas transportadoras de médio e pequeno porte, que terão de se adaptar rapidamente para não perder espaço no mercado.
O aumento de tarifas e encargos em diferentes setores da economia tem reflexo direto no transporte de cargas. Além da alta nos combustíveis, as empresas precisam lidar com reajustes em pedágios, tributos e insumos, o que reduz a margem de lucro e pode encarecer o frete para o consumidor final.
“Se não houver repasse desses custos, muitas transportadoras terão dificuldade em se manter competitivas. Mas, ao mesmo tempo, se os preços subirem demais, a demanda por fretes pode cair”, explica um consultor de logística.
Outro problema que preocupa o setor é a escassez de motoristas qualificados. Apesar de o Brasil ter milhares de profissionais habilitados, o número de caminhoneiros com experiência comprovada e aptos a lidar com a tecnologia embarcada nos novos veículos não é suficiente para atender à demanda.
Além disso, o alto índice de desistência na profissão, causado por jornadas longas, insegurança nas estradas e baixa valorização salarial, contribui para o déficit de mão de obra.
Para especialistas, as transportadoras terão de investir em tecnologia, gestão mais eficiente e programas de capacitação de motoristas. Aquelas que conseguirem equilibrar custos, reter talentos e oferecer serviços de qualidade devem se destacar no novo cenário.
Já as empresas que não se adaptarem podem enfrentar sérias dificuldades, correndo o risco de reduzir frotas, demitir funcionários ou até encerrar atividades.
O setor de transporte, que é a base da logística nacional e responsável por movimentar a economia em praticamente todos os segmentos, vive um momento de incertezas. O “tarifaço” e a falta de profissionais qualificados não são apenas problemas internos, mas reflexos de uma conjuntura econômica e social que atinge todo o país.
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