O setor de transporte rodoviário de cargas enfrenta um cenário contraditório: enquanto transportadoras relatam falta de caminhoneiros no mercado, milhares de motoristas recém-habilitados não conseguem emprego por não terem experiência comprovada.
A exigência mais comum nas vagas é clara: mínimo de um a dois anos de atuação registrada na carteira, além de histórico sem acidentes e conhecimento em rotas específicas. Para quem acabou de conquistar a CNH nas categorias C, D ou E, a barreira se torna quase intransponível.
Risco e custo pesam na decisão
Empresas justificam a exigência com base no risco operacional. Caminhões e carretas têm alto valor, muitas cargas são milionárias e qualquer erro pode gerar prejuízos significativos. Além disso, seguradoras costumam impor restrições para motoristas iniciantes, elevando o custo do seguro ou até negando cobertura.
Outro fator é a produtividade. Motoristas experientes conhecem rotas, sabem lidar com documentação, controle de jornada, tacógrafo e imprevistos na estrada. Já o iniciante pode precisar de supervisão e tempo maior de adaptação, o que impacta a operação.
O paradoxo do setor
O problema é que essa lógica cria um ciclo difícil de quebrar. Sem oportunidade, o novo motorista não ganha experiência. Sem experiência, continua fora do mercado. Enquanto isso, profissionais mais antigos se aposentam ou deixam a profissão, aumentando o déficit que as próprias empresas afirmam enfrentar.
Especialistas apontam que a categoria está envelhecendo e que, sem renovação, o problema pode se agravar nos próximos anos.
Possíveis caminhos
Algumas transportadoras já começam a investir em programas de formação interna, motorista auxiliar, treinamento supervisionado e parcerias com centros de capacitação. A ideia é reduzir o risco e, ao mesmo tempo, criar uma porta de entrada para novos profissionais.
Para muitos que sonham em viver da estrada, a principal pergunta continua sendo a mesma: como adquirir experiência se ninguém oferece a primeira chance?

