
Junior estar preso desde o final do ano de 2025
Um relatório de investigação da Polícia Civil revelou trechos de conversas que fazem parte de um processo que apura possíveis crimes envolvendo Horiovaldo, conhecido como Junior do Sindicam, liderança conhecida entre caminhoneiros.
Segundo o documento da investigação, dados foram extraídos do celular de um dos investigados e mostram diversas conversas armazenadas no aparelho. As mensagens estavam registradas em grupos familiares e também em conversas privadas.
De acordo com o relatório, os investigadores apontam que as conversas tratavam de assuntos relacionados a um silo pertencente à família, local que seria usado para receptação de cargas roubadas e também para possíveis fraudes envolvendo carregamentos de soja.
A análise do celular mostrou ainda que Junior utilizaria um número de telefone diferente salvo com outro nome na agenda de contatos para tentar evitar identificação direta. O contato estava registrado como “JU POUPA TEMPO”, mesmo sendo utilizado por ele.
Segundo os investigadores, pai e filho costumavam se comunicar por meio de chamadas e mensagens pelo aplicativo WhatsApp, sistema que possui criptografia. O relatório também aponta que fotos, áudios e mensagens foram apagados em algumas conversas, o que pode indicar tentativa de esconder conteúdos.
Outro ponto citado pela investigação é que Junior seria responsável por organizar diversas atividades no silo, como pagamentos de funcionários, carregamento e descarregamento de caminhões e pesagem de materiais.
Ainda de acordo com os investigadores, uma prática suspeita identificada seria a mistura de casca de amendoim em cargas de soja, que depois seriam transportadas até portos, o que poderia caracterizar fraude na carga.
O relatório também apresenta um trecho de conversa analisado pela polícia. Em uma das mensagens, um dos envolvidos demonstra preocupação após um funcionário comentar sobre uma carga encontrada no local. No trecho citado na investigação aparece a seguinte fala:
“…tem que avisar o Jesus… o rapaz foi lá hoje… foi lá pra falar que tinha uma carga de cigarro lá dentro do barracão…”
Segundo o documento policial, um funcionário citado nas conversas também já apareceu como testemunha em um caso anterior relacionado ao roubo de uma carga de cigarros, que teria sido levada até o mesmo silo investigado.
A investigação também aponta que uma empresa registrada em nome de uma familiar teria sido utilizada para assinar contratos de transporte de cargas. A empresa teria capital declarado de R$ 500 mil, valor considerado incompatível com a atividade exercida pela pessoa registrada como proprietária.
Em uma das conversas registradas no relatório, um familiar relata que Junior estaria pressionado para conseguir um contrato relacionado ao transporte de cargas.
Trecho citado na investigação mostra a preocupação:
“O Juninho tá apavorado lá pra carregar o caminhão… não consegue só por causa de um contrato… ele tá lá em Itaí… tem um cara lá investindo com ele no silo… cem milhão… estão carregando soja… mas precisa do contrato.”
Na mesma conversa também aparece a preocupação com a situação financeira:
“Ele só tem 4 ou 5 dias pra pagar a casa… vai pra leilão… se ele não fizer isso vamos perder a casa e o silo junto.”
Outro trecho do relatório cita que o silo teria grande quantidade de produto armazenado.
Na conversa apresentada pelos investigadores aparece a seguinte fala:
“Aquele silo lá tá cheio… tem quase duzentas toneladas de ração lá no silo… agora o negócio é vender.”
A polícia afirma que essas mensagens fazem parte da investigação sobre movimentação de cargas suspeitas no local.
O relatório também menciona uma caminhonete Toyota Hilux com sinais de adulteração, que teria sido apreendida pela Polícia Rodoviária Federal.
Segundo a investigação, Ariovaldo e Junior chegaram a ser abordados pela PRF com o veículo, caso que também foi citado no processo conduzido pela Delegacia de Investigações Gerais de Ourinhos.
Outro ponto destacado no relatório é uma mensagem em que Junior orientaria que o local fosse limpo completamente.
O trecho citado pelos investigadores diz:
“Falei com o Mário pra mandar uma máquina aí… uma pá carregadeira… pra empurrar esses produtos pro fundo… limpar tudo aí… não é pra ficar uma casquinha de amendoim no chão.”
Segundo a polícia, a mensagem pode indicar tentativa de remover vestígios de atividades que estavam sendo investigadas.
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