
Foto: Reprodução / PRF
A PRF tem como missão oficial garantir segurança viária e atuar na prevenção e repressão ao crime nas rodovias federais. Hoje, a corporação responde por mais de 75 mil quilômetros de rodovias e estradas federais no país.
O problema é que, na rotina de muitos caminhoneiros, a PRF costuma aparecer mais no momento da cobrança do que no momento da solução. É na blitz, na fiscalização, na multa, na checagem de documentos, no controle do descanso e nas restrições operacionais que o motorista encontra o órgão com mais frequência. Isso ajuda a explicar por que parte da categoria não a enxerga como aliada.
Essa percepção cresce porque a presença mais visível da PRF está na fiscalização. Em 2025, a corporação registrou 10.277.088 infrações nas BRs, alta de 7,79% em relação a 2024. Para a PRF, isso representa intensificação do trabalho preventivo. Para muitos motoristas, reforça a sensação de que o Estado aparece mais para autuar do que para melhorar a vida na estrada.
Um dos maiores focos de desgaste é a fiscalização do tempo de direção. A PRF informou em 2025 que passou a checar o cumprimento do descanso de 11 horas ininterruptas a cada 24 horas, com apoio do cronotacógrafo. Na lógica da corporação, isso existe para reduzir fadiga e evitar acidentes.
Só que a crítica dos caminhoneiros é objetiva: a regra é cobrada, mas a estrutura para cumpri-la muitas vezes não existe. Em audiência no Senado, representantes da categoria disseram que a exigência é impraticável em muitos trechos porque faltam pontos de parada adequados.
A própria ANTT define os Pontos de Parada e Descanso como locais criados para oferecer descanso seguro aos motoristas profissionais, com condições adequadas de repouso, segurança, requisitos sanitários e conforto. O problema é que essa rede ainda não atende a realidade de toda a malha.
Quando o caminhoneiro não encontra local seguro para parar e, mesmo assim, pode ser cobrado por isso, a multa passa a parecer injusta. É aí que a PRF deixa de ser vista como proteção e passa a ser vista, por parte da categoria, como mais uma pressão.
Também é importante esclarecer isso: a PRF não é a única responsável pela insatisfação. O desgaste vem de um conjunto de fatores: estrada ruim, falta de estrutura, prazos apertados, custo alto e cobrança constante. Só que, como a PRF é o rosto mais visível da fiscalização na rodovia, ela acaba absorvendo boa parte dessa rejeição.
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