Caminhoneiro

Por que caminhões chineses ainda não ganharam o mesmo espaço dos carros chineses no Brasil?

Os carros chineses já começaram a ocupar espaço nas ruas brasileiras. Marcas como BYD e GWM cresceram rápido, ganharam concessionárias e passaram a chamar atenção pelos preços, tecnologia e acabamento. Só que quando o assunto é caminhão, a história ainda é bem diferente.

Mesmo com algumas marcas chinesas chegando ao Brasil, os caminhões chineses ainda não conseguiram conquistar o mercado no mesmo ritmo dos automóveis. E isso acontece por vários motivos.

Enquanto muita gente troca de carro particular em poucos anos, um caminhão costuma virar ferramenta de trabalho por muito tempo. Em várias operações, o veículo roda mais de 10 horas por dia e precisa suportar peso, calor, estrada ruim e manutenção pesada.

Por causa disso, transportadoras e caminhoneiros costumam escolher marcas já conhecidas no setor, principalmente aquelas que possuem rede de peças, oficinas e mecânicos espalhados pelo país.

Hoje, marcas tradicionais como Scania, Volvo, Mercedes-Benz, DAF, Volkswagen e Iveco já possuem décadas de presença no Brasil. Isso criou uma confiança muito forte no mercado.

Outro ponto importante é o pós-venda.

No carro de passeio, muita gente aceita correr mais riscos para economizar ou testar uma tecnologia nova. Já no caminhão, um veículo parado significa prejuízo imediato. Se faltar peça ou assistência, a carga atrasa e o dono perde dinheiro.

Por isso, muitas empresas ainda observam os caminhões chineses com cautela, esperando para ver como será a durabilidade e disponibilidade de peças ao longo dos anos.

Existe também a questão da revenda.

Um caminhão normalmente é comprado pensando no futuro valor de mercado. Marcas tradicionais conseguem manter preço mais forte na hora da troca. Já os chineses ainda estão construindo essa confiança no setor pesado.

Além disso, os caminhões chineses chegaram primeiro no segmento elétrico e urbano. Só que o transporte pesado brasileiro ainda depende muito do diesel, principalmente em viagens longas. A infraestrutura de carregamento no país ainda não acompanha a necessidade de caminhões elétricos rodando grandes distâncias.

Marcas chinesas já começaram a trazer vans elétricas, caminhões leves urbanos e modelos voltados para entregas. Empresas de logística e grandes centros urbanos passaram a demonstrar interesse por causa do custo operacional menor e da economia de combustível.

Outra vantagem é que as montadoras chinesas costumam oferecer caminhões mais tecnológicos e com bastante item de série, algo que chama atenção de empresas que trabalham com frota nova.

Só que existe um detalhe importante: o mercado de caminhões é muito mais conservador do que o mercado de carros.

O caminhoneiro costuma confiar em marcas que conhece há anos, principalmente quando depende daquele veículo para sustentar a família. Isso faz a entrada de novas montadoras acontecer de forma muito mais lenta.

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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