Caminhoneiro

Caminhoneiros veteranos da estrada ainda seguram o transporte no braço

Com pouca renovação, motoristas mais antigos seguem levando carga pelo país, mesmo com espera, custo alto e rotina pesada.

Experiência dos veteranos ainda move a estrada brasileira

Os caminhoneiros antigos continuam sendo uma das bases mais fortes do transporte no Brasil. São homens que conhecem estrada, posto, pátio, oficina, fila de carga e noite mal dormida. Muitos aprenderam a profissão com o pai, com um parente ou na prática, errando, consertando e seguindo viagem mesmo quando o ganho não acompanha o peso da rotina.

Uma pesquisa da CNTA divulgada em 2025 mostrou que a idade média do profissional autônomo é de 46 anos, e 34% já têm 50 anos ou mais. O mesmo levantamento apontou um dado que preocupa o setor: 86% disseram que nenhum filho pretende seguir na profissão. Isso mostra que a tradição familiar, que por muito tempo manteve a boleia ocupada, está perdendo força.

Na prática, quem ainda segura muita coisa é o motorista mais velho. Ele sabe lidar com estrada ruim, frete apertado, mecânica no improviso e demora para carregar. A experiência ajuda a evitar prejuízo, escolher rota melhor e fugir de roubada. Só que essa vivência também vem com cansaço, saúde deixada de lado e muitos dias longe de casa.

A mesma pesquisa mostrou que a média diária de trabalho chega a 14 horas, com cerca de 16 dias por mês fora do convívio familiar. Também aparece outro problema conhecido por quem vive no transporte: 46,1% afirmaram esperar mais de cinco horas para carregar ou descarregar, e mais de 90% disseram não receber pelo tempo parado.

Esse tempo perdido pesa no bolso. Enquanto o caminhão fica encostado, o diesel, o pneu, a manutenção, a comida e as parcelas continuam correndo. Para o veterano, cada parada longa vira conta acumulada. Para quem é autônomo, o prejuízo cai direto na mesa da família.

O transporte brasileiro ainda depende muito dessa turma que conhece o país pelo para-brisa. Em 2024, dados apresentados na Câmara dos Deputados já alertavam para envelhecimento, desvalorização e falta de renovação entre profissionais autônomos, que têm papel grande no escoamento de cargas pelo país.

O problema é que experiência não paga conta sozinha. Sem frete justo, local seguro para descanso, menos atravessador e condição real de trabalho, a estrada pode perder justamente quem mais entende dela.

Esta publicação foi modificada pela última vez em 20 de maio de 2026 22:19

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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