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Carro elétrico pode virar ameaça silenciosa para empregos nas fábricas do Brasil

Ildemar Ribeiro3 minutos de leitura
Carro elétrico pode virar ameaça silenciosa para empregos nas fábricas do Brasil

A chegada do carro elétrico mexe direto com o jeito de fabricar veículos no Brasil. Um modelo a combustão depende de motor cheio de peças, câmbio, escapamento, sistema de combustível, filtros, óleo e uma cadeia grande de fornecedores. No elétrico, boa parte disso desaparece. O carro passa a depender mais de bateria, motor elétrico, inversores, software, chicotes, eletrônica e sistemas de recarga.

A montagem final pode ficar mais simples em algumas etapas. O risco para o emprego aparece quando a fábrica apenas encaixa partes prontas vindas de fora. Nesse modelo, o país monta o veículo, mas deixa de produzir peças importantes. A Agência Brasil publicou em janeiro de 2026 que um estudo da Anfavea estimou risco de 69 mil empregos diretos e 227 mil indiretos caso a produção completa seja trocada por montagem de kits importados. O impacto também chegaria às autopeças e exportações.

O ponto central não é o carro elétrico sozinho. O problema é onde ficam as etapas mais valiosas da produção. Se bateria, motor elétrico e componentes eletrônicos vierem prontos de fora, o Brasil perde trabalho industrial. Se esses itens forem fabricados aqui, a história muda. Um estudo do ICCT, com análise sobre a indústria brasileira até 2050, aponta que a eletrificação pode gerar mais empregos que o cenário baseado só em veículos a combustão, principalmente quando existe produção nacional de baterias e componentes do sistema elétrico.

Isso também vale para ônibus e caminhões. A eletrificação do transporte pesado exige oficina preparada, mecânico treinado, rede de recarga, manutenção de baterias e gente capaz de lidar com alta tensão. O serviço muda de perfil. Sai parte da mecânica tradicional e entra mais elétrica, diagnóstico eletrônico e software.

Para o trabalhador da fábrica, o caminho deve ser de adaptação. Funções ligadas a motor, escapamento e câmbio tendem a perder espaço com o tempo. Já áreas de bateria, eletrônica, montagem de módulos, testes, qualidade e programação ganham força. Um estudo internacional de 2024 publicado na Energy Policy também mostrou que a produção de baterias pode puxar demanda por mão de obra no setor, desde que as novas fábricas fiquem próximas da indústria atual e aproveitem trabalhadores já experientes.

No Brasil, o carro elétrico pode reduzir empregos se virar apenas montagem simples com peça importada. Mas pode criar novas vagas se o país produzir os componentes principais e preparar a mão de obra para essa nova fábrica.

Sobre o autor

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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