Caminhoneiro ora após atropelar motociclista na BR-158

Colisão em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, envolveu caminhão e motocicleta; condutor permaneceu no ponto da batida e fez oração perto da vítima.
Batida na BR-158 mostra o peso emocional da profissão
Quem trabalha no trecho sabe que a rotina não perdoa. Tem carga para entregar, horário apertado, sono acumulado, fila em posto, pressão de empresa, frete baixo e muita atenção dividida entre retrovisor, pista e movimento ao redor. Em poucos segundos, uma viagem comum pode mudar completamente.
Uma batida fatal registrada no km 205 da BR-158, em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, trouxe de novo essa realidade para o centro da conversa. Segundo a publicação da Sampi, com informações da PRF, um homem de 74 anos conduzia um caminhão que saía de um posto e acessava a rodovia quando uma motocicleta atingiu a traseira do veículo. A vítima foi identificada como André Mimbacas Saccol, de 47 anos, ligado ao Grupo Medianeira, do setor de transportes.
O ponto que mais chamou atenção foi a postura do condutor após a colisão. Ele não deixou o local, não tentou seguir viagem e permaneceu ali até a chegada do atendimento. Ainda conforme as informações divulgadas, o homem pediu autorização a um bombeiro para se aproximar do corpo e fez uma oração perto da vítima. O teste do bafômetro deu negativo para consumo de álcool.
Para quem trabalha com o transporte, uma situação assim pesa de um jeito diferente. Na boleia, cada manobra exige cuidado, principalmente na entrada e saída de posto, cruzamento, acostamento e trecho urbano. Também existe o medo constante de se envolver em uma ocorrência grave, mesmo sem intenção, porque o caminhão é grande, demora mais para ganhar velocidade e ocupa mais espaço na pista.
Esse tipo de notícia mexe com caminhoneiros, motociclistas e famílias que dependem da estrada. Além da dor de quem perde alguém, existe a realidade de quem fica no local, presta socorro, passa por fiscalização, responde aos procedimentos e carrega a imagem da cena pelo resto da vida.
A estrada pede atenção dobrada de todos. Para o profissional do volante, vale reforçar a checagem antes de acessar a pista, observar pontos cegos, sinalizar cada movimento e nunca confiar apenas no fluxo aparente. Para quem vem em moto ou carro menor, manter distância e reduzir perto de entradas de posto pode evitar uma tragédia.
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