
Foto: Reprodução / Internet
O ônibus elétrico já cresce forte em várias cidades, mas ainda não vende mais que os modelos a diesel, gás ou outros combustíveis quando o mercado total é analisado. A virada existe em alguns recortes, principalmente no transporte urbano da China e em parte da Europa, mas ainda está longe de ser realidade no Brasil e no mundo inteiro.
Em 2025, as vendas globais de ônibus elétricos chegaram perto de 70 mil unidades, alta de 12% no ano. Parece muito, mas ainda é pouco diante do volume total de ônibus vendidos. A própria IEA mostra que os caminhões elétricos chegaram a 9% das vendas globais de caminhões e ficaram acima da participação dos ônibus elétricos, sinal de que a fatia dos ônibus ainda segue abaixo desse patamar.
O avanço mais forte está nos ônibus urbanos. Na China, os elétricos passaram de 60% das vendas totais de ônibus em 2025, e os ônibus de cidade ficaram praticamente todos elétricos. Na Europa, os ônibus elétricos passaram de 12% das vendas novas em 2025, enquanto os modelos urbanos 100% a bateria superaram 55% na União Europeia.
No Brasil, o crescimento é rápido, mas parte de uma base pequena. A IEA aponta cerca de 850 ônibus elétricos vendidos no país em 2025, com participação pouco acima de 2%. Já dados divulgados pela ABVE mostravam 662 unidades até novembro, contra 302 em 2024. No mesmo ano, o mercado brasileiro total de ônibus ficou em 28,8 mil unidades, conforme a Fenabrave.
Podemos ver que o elétrico já deixou de ser teste, mas ainda não virou maioria. O operador olha preço de compra, autonomia, garagem, carregador, contrato público, manutenção e tempo parado. Para empresa de ônibus, um veículo mais limpo só fecha a conta quando a operação consegue rodar sem atraso, sem improviso e com custo previsível.
Pela projeção mais realista, o ônibus elétrico não deve vender mais que o de combustão no mercado global antes de 2035. A IEA estima que, pelas políticas atuais, a participação dos ônibus elétricos chegue perto de 25% em 2035. Isso indica que a virada mundial pode ficar para depois de 2040, salvo aceleração forte em compras públicas, baterias mais baratas e mais pontos de recarga.
No Brasil, a virada tende a demorar mais. Se as compras públicas continuarem crescendo, os elétricos podem ganhar espaço mais visível entre 2035 e 2040, primeiro nas capitais e corredores urbanos. Para ônibus rodoviário, fretamento e linhas longas, o diesel ainda deve segurar vantagem por mais tempo.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 26 de maio de 2026 19:21
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