Bahia pode precisar de até 3 mil motoristas de ônibus

A Bahia pode precisar contratar entre 2 mil e 3 mil motoristas de ônibus até 2030 para preencher postos abertos, substituir profissionais que deixarem a atividade e atender possíveis ampliações de linhas. O número não é uma previsão oficial, mas uma projeção baseada no tamanho atual da categoria, nas frotas e na escassez de condutores qualificados.
A planilha da Senatran referente a dezembro de 2025 registra 50.916 ônibus emplacados na Bahia. Esse total inclui veículos urbanos, rodoviários, escolares, de turismo e fretamento, portanto não representa apenas os coletivos que circulam diariamente nas cidades.
Nos registros de emprego, foram identificados cerca de 6.925 profissionais trabalhando como motoristas de ônibus urbano no estado. Até julho de 2025, a ocupação apresentava saldo positivo de 109 admissões, sinal de que as empresas continuavam contratando para ampliar ou recompor equipes.
A dificuldade para encontrar trabalhadores pode elevar essa demanda. Um monitoramento da Confederação Nacional do Transporte apontou que 50,6% das empresas de transporte urbano mantinham vagas abertas para motoristas. No segmento rodoviário de passageiros, o índice chegava a 55,6%. Outro levantamento mostrou redução de 25,1% no número de habilitados na categoria D no Brasil entre 2015 e 2025.
Cada ônibus em operação precisa de mais de um condutor para cobrir turnos, folgas, férias e afastamentos. Em uma aplicação do método de custos da Associação Nacional de Transportes Públicos, o fator utilizado foi de 2,75 motoristas por veículo. A entrada líquida de cem ônibus poderia exigir perto de 275 profissionais, dependendo da escala.
Salvador concentra boa parte do mercado. A capital informou uma frota de aproximadamente 1,8 mil veículos e prevê receber 700 ônibus novos em 2026. A maior parte deve substituir modelos antigos, por isso renovação não equivale automaticamente à criação de vagas. O aumento de linhas, frequência e veículos realmente adicionados à operação é que eleva o quadro necessário.
A faixa de 2 mil a 3 mil contratações considera um cenário em que 20% a 30% dos atuais 6.925 vínculos precisem ser substituídos em cinco anos. Isso representaria de 1.385 a 2.078 admissões apenas para reposição. Somando postos desocupados e uma expansão moderada do serviço, a necessidade acumulada pode alcançar o limite superior da projeção.
As oportunidades tendem a aparecer com mais força na capital, na Região Metropolitana e nos principais sistemas municipais e intermunicipais. A formação de novos condutores depende principalmente de habilitação D ou E e treinamento específico para transporte coletivo.
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