Caminhoneiro

Pedágio de R$ 700 para caminhão mostra por que o frete está cada vez mais apertado

Em alguns trechos do Brasil, o valor do pedágio para caminhões pesados chega perto ou passa de R$ 700, e a conta pesa na vida de quem transporta carga.

Pedágio de R$ 700 para caminhão assusta quem vive da estrada

O pedágio no Brasil já virou uma das contas que mais pesam para quem trabalha com transporte. Para carro pequeno, muita gente reclama quando paga R$ 10, R$ 20 ou R$ 30. Mas no caso dos caminhões, principalmente bitrem e rodotrem, o valor pode virar uma pancada muito maior, porque a cobrança normalmente considera a quantidade de eixos do veículo.

Um exemplo que viralizou foi o pedágio da BR-163, na região de Trairão, no Pará. Segundo publicação do Sindipesa, um rodotrem de nove eixos e 74 toneladas chegava a pagar R$ 711,90 para passar pela praça de pedágio. Na mesma praça, caminhões de quatro eixos pagavam R$ 316,40, e bitrem de sete eixos pagava R$ 632,80. O trecho é administrado pela Via Brasil BR-163, com valores autorizados e reajustados pela ANTT.

Para o caminhoneiro, esse valor não é só número

Na prática, um pedágio desse tamanho muda a conta da viagem. O caminhoneiro já sai para o trecho pensando em diesel, pneu, óleo, manutenção, alimentação, diária, espera para carregar, fila para descarregar e risco de atraso. Quando entra uma tarifa de centenas de reais no caminho, o frete precisa cobrir isso. Se não cobrir, alguém paga a diferença.

A Via Brasil BR-163 informa que suas praças ficam em Cláudia, Guarantã do Norte e Trairão, e que aceita dinheiro, cartão, PIX, tag, além de tag vale-pedágio para transportadoras. A concessionária também informa desconto de 5% para quem usa pagamento automático. Mesmo assim, para caminhão grande, o valor continua pesado porque a tarifa cresce conforme o tipo de composição e a quantidade de eixos.

Outro ponto que aumenta a reclamação é a cobrança sobre eixos. A ANTT informou que, em algumas rodovias federais concedidas, caminhões carregados passaram a ser cobrados pela totalidade dos eixos quando há MDF-e aberto, mesmo que algum eixo esteja suspenso. A agência explica que a leitura é feita pela placa e pelo sistema, usando os dados da carga para identificar se o caminhão está em operação.

Na Bahia, também apareceu discussão parecida. Em audiência pública sobre a nova concessão das BRs 324 e 116, foi citado que um veículo pesado de cinco eixos, percorrendo todo o trecho, poderia sair de R$ 185 para R$ 580 no segundo ano e chegar a R$ 700 nos anos 7 e 8. Ou seja, não é só um problema isolado de uma praça: o custo do pedágio pesado virou assunto nacional no transporte.

O vale-pedágio obrigatório existe justamente para evitar que esse custo caia direto no colo do transportador. A ANTT explica que ele foi criado para atender uma reivindicação dos caminhoneiros autônomos, tirando do motorista a obrigação de pagar o pedágio do próprio bolso. Pela regra, o embarcador ou equiparado deve pagar o pedágio antecipado e entregar o comprovante ao transportador.

O problema é que, na vida real, a conta do frete nem sempre vem redonda. Quando o pedágio é alto, o transporte fica mais caro, o preço da carga sobe e o caminhoneiro sente a pressão no dia a dia. A estrada já cobra caro em cansaço, tempo longe de casa, oficina, diesel e risco. Quando uma única passagem pode chegar perto de R$ 700, fica claro por que tanta gente da boleia diz que trabalhar com caminhão está cada vez mais apertado.

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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