Caminhoneiro

Caminhoneiro a profissão que passava de pai para filho está morrendo na boleia

Muitos filhos de caminhoneiros estão deixando a boleia de lado por causa da rotina pesada, da espera, dos riscos e da falta de valorização.

A tradição da boleia perdeu força no Brasil

Por muitos anos, ser caminhoneiro era quase uma herança de família. O filho crescia vendo o pai na estrada, aprendia a gostar do caminhão e sonhava em pegar a boleia também. Mas essa realidade mudou bastante. Hoje, muitos filhos olham para a vida do pai caminhoneiro e não querem repetir a mesma rotina.

A pesquisa da CNTA de 2025 mostrou que a idade média do caminhoneiro autônomo é de 46 anos, que 34% já têm 50 anos ou mais e que 86% dizem que nenhum filho pretende seguir na profissão. O levantamento também aponta que 82% não se sentem valorizados e 23% pensam em deixar a atividade.

O motivo não é falta de amor pelo caminhão. O problema é o peso da vida na estrada. O caminhoneiro passa dias longe de casa, enfrenta fila para carregar e descarregar, dorme em posto, pega rodovia ruim, gasta muito com manutenção e ainda precisa brigar por frete que muitas vezes mal cobre os custos.

Segundo a mesma pesquisa, a média é de 14 horas de trabalho por dia, 16 dias por mês longe da família e 46,1% dos motoristas relatam espera acima de cinco horas para carregar ou descarregar. Mais de 90% também dizem que não recebem corretamente pelo tempo parado.

É por isso que a profissão que antes passava de pai para filho está perdendo continuidade. O pai conhece o orgulho de viver da estrada, mas também conhece o cansaço, o risco e a saudade. Muitos não querem ver o filho sofrendo com a mesma desvalorização.

O transporte no Brasil ainda depende muito do caminhoneiro, mas a nova geração quer mais segurança, mais tempo em casa e uma renda que faça sentido. Enquanto a profissão não for mais valorizada, a boleia vai seguir ficando mais velha, com menos jovens chegando para continuar a história dos pais.

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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