
Foto: Reprodução / Marco Ankosqui
Muitos filhos de caminhoneiros estão deixando a boleia de lado por causa da rotina pesada, da espera, dos riscos e da falta de valorização.
Por muitos anos, ser caminhoneiro era quase uma herança de família. O filho crescia vendo o pai na estrada, aprendia a gostar do caminhão e sonhava em pegar a boleia também. Mas essa realidade mudou bastante. Hoje, muitos filhos olham para a vida do pai caminhoneiro e não querem repetir a mesma rotina.
A pesquisa da CNTA de 2025 mostrou que a idade média do caminhoneiro autônomo é de 46 anos, que 34% já têm 50 anos ou mais e que 86% dizem que nenhum filho pretende seguir na profissão. O levantamento também aponta que 82% não se sentem valorizados e 23% pensam em deixar a atividade.
O motivo não é falta de amor pelo caminhão. O problema é o peso da vida na estrada. O caminhoneiro passa dias longe de casa, enfrenta fila para carregar e descarregar, dorme em posto, pega rodovia ruim, gasta muito com manutenção e ainda precisa brigar por frete que muitas vezes mal cobre os custos.
Segundo a mesma pesquisa, a média é de 14 horas de trabalho por dia, 16 dias por mês longe da família e 46,1% dos motoristas relatam espera acima de cinco horas para carregar ou descarregar. Mais de 90% também dizem que não recebem corretamente pelo tempo parado.
É por isso que a profissão que antes passava de pai para filho está perdendo continuidade. O pai conhece o orgulho de viver da estrada, mas também conhece o cansaço, o risco e a saudade. Muitos não querem ver o filho sofrendo com a mesma desvalorização.
O transporte no Brasil ainda depende muito do caminhoneiro, mas a nova geração quer mais segurança, mais tempo em casa e uma renda que faça sentido. Enquanto a profissão não for mais valorizada, a boleia vai seguir ficando mais velha, com menos jovens chegando para continuar a história dos pais.
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