Motorista de Aplicativo

A conta real do motorista de aplicativo passa de R$ 5 mil de custo por mês

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A conta real do motorista de aplicativo passa de R$ 5 mil de custo por mês

O motorista de aplicativo pode até ver um bom valor entrando no fim do mês, mas a conta real da atividade mostra um cenário bem diferente. Um levantamento ligado ao Tribunal Superior do Trabalho apontou que os gastos mensais para trabalhar com transporte por aplicativo passam de R$ 5 mil, valor que muda a leitura sobre o quanto realmente sobra no bolso de quem depende do carro para rodar.

Pelos cálculos apresentados, o motorista que usa carro próprio tem despesa estimada em R$ 5.566 por mês. Para quem trabalha com veículo alugado, o custo sobe para R$ 5.706. A simulação considera uma rotina de 22 dias de trabalho no mês, com oito horas por dia e média de 25 km rodados por hora em ambiente urbano.

Essa conta não envolve apenas combustível. Entram no cálculo manutenção, pneus, seguro, tributos, internet móvel, alimentação durante o expediente, depreciação do veículo e, em alguns casos, aluguel do carro. Também existe o risco de gastos inesperados, como quebra mecânica, vazamento de óleo, troca de peças ou reparos que tiram o motorista da rua por alguns dias.

Esse ponto é importante porque a renda bruta não mostra o ganho real. O aplicativo pode repassar valores diários que parecem atrativos, mas parte desse dinheiro já nasce comprometida com o funcionamento do próprio trabalho. Quando o carro para, a renda também para, enquanto boleto, parcela, oficina e combustível continuam pesando.

O estudo também mostra que a jornada de quem trabalha em plataformas digitais costuma ser maior. A média semanal chega a 44,8 horas, acima da jornada registrada entre trabalhadores tradicionais. Com mais horas conectadas e custos altos, o ganho por hora fica menor do que parece quando se olha apenas o valor mensal recebido.

Outro dado relevante é o tamanho desse mercado. O Brasil já tem mais de 1,7 milhão de pessoas trabalhando por plataformas digitais, incluindo motoristas e entregadores. No caso dos carros por aplicativo, a discussão ganha força porque as empresas tratam esses profissionais como autônomos, enquanto boa parte dos custos da operação fica concentrada no próprio motorista.

O debate também passa pelo reconhecimento ou não de vínculo trabalhista entre motoristas e plataformas. O assunto está no centro de processos judiciais e de propostas de regulamentação, com impacto direto na forma de cálculo da remuneração, na proteção previdenciária e na responsabilidade sobre os custos do serviço.

Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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