Carro

O motivo que faz até marca gigante sofrer para lucrar com carro no Brasil

O mercado brasileiro de carros parece enorme quando se olha apenas para as ruas. Fiat, Volkswagen, Hyundai, Chevrolet, Renault, Honda e Toyota estão por todos os lados, com modelos populares, SUVs, hatches e picapes disputando espaço nas lojas. Só que vender bastante no Brasil não significa, automaticamente, ganhar muito dinheiro.

A explicação passa por um ponto simples: margem. O carro vendido no país precisa caber no bolso do consumidor, mas a operação das montadoras envolve imposto, fornecedor, fábrica, logística, câmbio, peças importadas e investimento pesado em novos modelos. Quando essa conta aperta, a marca pode até vender bem, mas o lucro fica pequeno.

A Fiat é um caso diferente dentro desse cenário. A marca tem grande escala no Brasil, forte presença entre carros compactos e picapes, além de uma fábrica muito importante em Betim, Minas Gerais. Com volume alto, ela consegue negociar melhor peças, motores, bancos, vidros, aço e outros componentes. Isso ajuda a reduzir o custo por carro produzido.

Em 2025, a Fiat terminou novamente como a marca mais vendida do país, com mais de 533 mil unidades emplacadas. A Strada, o Argo, o Mobi, o Pulse e o Fastback ajudam a formar uma linha bem adaptada ao gosto brasileiro. São carros pensados para preço, manutenção, uso urbano, trabalho e revenda.

A Volkswagen também tem muita força no Brasil. A marca fechou 2025 com mais de 436 mil unidades vendidas e modelos como Polo, T-Cross, Saveiro e Nivus em alta. Ainda assim, a diferença de estrutura para a Fiat pesa. Ter volume ajuda, mas não resolve tudo quando a fábrica, os custos e os incentivos não trabalham da mesma forma.

Esse cenário ajuda a explicar decisões que parecem estranhas para quem acompanha carros. A Renault deixou de apostar forte em Logan e Sandero. A Honda parou de produzir o Civic nacional. A Hyundai mantém uma fábrica eficiente em Piracicaba, mas não transformou a Kia em uma operação industrial maior por aqui.

O Brasil continua sendo um dos maiores mercados do mundo, com 2,69 milhões de veículos vendidos em 2025. O tamanho chama atenção, mas o lucro depende de uma combinação difícil: escala, preço competitivo, fábrica eficiente, produto certo e custo baixo. É por isso que algumas marcas crescem com força, enquanto outras preferem pisar no freio.

Esta publicação foi modificada pela última vez em 13 de junho de 2026 07:36

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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