Você corre atrás do dinheiro, mas perde o tempo com a família”, desabafa caminhoneiro sobre a vida na estrada

O caminhoneiro Thomas, de Cascavel (PR), abriu o coração ao falar sobre a rotina de quem passa boa parte da vida nas rodovias. Durante uma entrevista, ele contou que está há cerca de uma semana longe de casa, mas explicou que esse período faz parte de uma sequência de viagens que já dura quase um mês, com apenas três dias de descanso ao lado da família.
Com cerca de dez anos trabalhando como motorista e cinco deles dirigindo carretas, Thomas afirma que hoje consegue receber entre R$ 8 mil e R$ 12 mil por mês, dependendo das viagens e da produtividade. Mesmo assim, diz que o valor não representa uma vida tranquila.
Segundo ele, o aumento das despesas na estrada reduziu bastante a margem de lucro. O diesel, alimentação, manutenção e outros custos fazem com que o caminhoneiro trabalhe praticamente para manter a operação funcionando.
O maior peso da profissão, porém, não está nas contas. Para Thomas, o mais difícil é ficar distante da esposa e da filha de dois anos. Ele conta que muitas vezes passa de 20 a 30 dias fora de casa e, quando retorna, percebe o quanto a filha cresceu durante sua ausência.
“Você sai para buscar o sustento da família, mas muitas vezes o que mais faz falta é justamente a sua presença dentro de casa”, relatou.
O motorista também revelou que já passou por tentativas de assalto, principalmente na região de Belo Horizonte, e destacou que o cansaço ao volante exige atenção constante. Segundo ele, quando o sono aparece, a melhor decisão é parar para descansar.
Questionado se deixaria a profissão por outra com melhor remuneração e que permitisse ficar mais perto da família, Thomas respondeu que sim. Apesar da paixão pelos caminhões, ele acredita que a distância de casa pesa cada vez mais com o passar dos anos.
Ao deixar um conselho para quem sonha em seguir a carreira, Thomas disse que cada pessoa precisa viver a própria experiência, mas fez um alerta para quem pensa em passar toda a vida na estrada.
“Se for para levantar a vida e conquistar alguma coisa, pode valer a pena. Mas para ficar nisso o resto da vida eu não recomendo. Você corre atrás do dinheiro, e quando percebe o tempo passou. O importante é se organizar para um dia conseguir descansar e aproveitar mais a família”, concluiu.
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