Idade média dos caminhoneiros chega a 46 anos, enquanto novos profissionais encontram dificuldades para entrar na profissão

A renovação da profissão está ficando mais lenta. A idade média dos caminhoneiros no Brasil chegou a 46 anos, de acordo com levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Transporte em 2025. O mesmo estudo indica que 22% dos profissionais já passaram dos 50. Em 2019, a média registrada pela CNT era de 44,8 anos, o que mostra avanço no envelhecimento da categoria ao longo dos últimos anos.
O retrato fica ainda mais claro quando são analisadas as carteiras de habilitação usadas no setor de cargas. Um estudo do Instituto Paulista do Transporte de Carga, elaborado com dados do Renach, mostra que a faixa de 51 a 60 anos concentrava 1,22 milhão de habilitados nas categorias C e E em 2024. Mais de 71% desse grupo estava entre 41 e 70 anos.
Na ponta mais jovem, os números são bem menores. Apenas 4,16% dos habilitados tinham até 30 anos. Entre 18 e 25 anos, a participação era de somente 1,31%. O dado não representa apenas caminhoneiros em atividade, pois inclui pessoas habilitadas que podem trabalhar em outras funções ou nem exercer atividade profissional. Esse recorte ajuda a medir o tamanho do grupo disponível para entrar ou permanecer no setor.
A dificuldade de renovação também aparece nas contratações. A idade média dos motoristas de caminhão admitidos passou de 40,17 anos, em 2020, para 40,36 anos em 2024. A variação parece pequena, mas indica que as empresas continuam buscando trabalhadores já maduros, enquanto a entrada de profissionais mais novos segue limitada.
Outro sinal está no número de habilitados. Entre 2014 e 2024, o total combinado das categorias C e E caiu de cerca de 5,54 milhões para 4,38 milhões. A categoria C perdeu 45,3% no período, enquanto a E cresceu 31,7%. A procura pela habilitação para carretas aumentou, mas não compensou totalmente a redução geral.
O custo para mudar de categoria, a exigência de experiência, os períodos longe de casa, a insegurança, a falta de locais adequados para descanso e a remuneração irregular afastam parte dos jovens. Empresas passaram a criar escolas internas, programas de formação e parcerias com entidades de capacitação para preencher vagas.
Com poucos jovens entrando e grande parte da categoria próxima da aposentadoria, transportadoras enfrentam mais dificuldade para manter equipes completas, principalmente em operações que exigem experiência, cursos específicos, longas viagens e disponibilidade para passar dias seguidos longe da família.
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