Tecnologia na boleia, câmera detecta até piscada de caminhoneiro e manda parar o caminhão

Uma câmera instalada dentro da cabine consegue perceber quando o caminhoneiro começa a piscar mais devagar, bocejar ou apresentar sinais de sono. Se o cansaço aumentar, o próprio equipamento avisa que está na hora de procurar um lugar seguro e parar.
A tecnologia já faz parte de caminhões usados no transporte florestal da Eldorado, na região de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul. Os veículos são acompanhados durante 24 horas por uma torre de controle que recebe informações sobre localização, funcionamento do caminhão e comportamento na direção.
Não é só a câmera que manda dados. O sistema também acompanha falhas no motor, consumo de combustível, tempo em que o veículo fica parado e até situações como freadas mais fortes.
Quando a câmera percebe os primeiros sinais de fadiga, o caminhoneiro recebe um aviso dentro da própria cabine. Nesse estágio, a orientação é buscar um ponto seguro para descansar e fazer exercícios de estimulação.
Se o sistema identifica um nível mais alto de cansaço, o procedimento muda. O motorista deve parar imediatamente e comunicar o responsável pela operação. Outro profissional pode ser enviado para assumir o caminhão.
Durante a reportagem, o caminhoneiro Daniel simulou bocejos e sinais de sono dentro da cabine. A resposta veio na hora. O equipamento disparou avisos como “atenção, você está cansado” e “pare, você está dormindo”.
Daniel contou que, no começo, estranhou trabalhar com uma câmera apontada para ele durante o turno. Depois de algum tempo, passou a enxergar o equipamento de outra maneira. Para o motorista, o acompanhamento ajuda a evitar situações perigosas e aumenta a chance de voltar para casa em segurança.
Os dados registrados também ficam disponíveis para o próprio caminhoneiro. Por meio de um aplicativo, ele consegue acompanhar sua forma de dirigir, consumo de combustível, motor ocioso e outros registros do veículo.
Apesar das câmeras, mapas, telemetria e inteligência artificial, a operação ainda depende do motorista na boleia. Segundo profissionais ouvidos na reportagem, a tecnologia funciona como apoio e não como substituta de quem conduz o caminhão.
A região de Três Lagoas também possui vagas ligadas ao setor florestal, incluindo funções para motoristas e operadores de equipamentos. A orientação feita na reportagem é procurar apenas os canais oficiais das empresas e desconfiar de qualquer cobrança para participar de processos seletivos.
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