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Caminhoneiro

Brasil já sofre com falta de caminhoneiros e 88% das transportadoras têm dificuldade para contratar

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Fila no mato grosso
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O Brasil está começando a enfrentar um problema que já preocupa transportadoras em diferentes partes do mundo: há caminhões disponíveis, cargas para transportar, mas está cada vez mais difícil encontrar motoristas profissionais para assumir o volante.

Uma pesquisa da NTC&Logística sobre o transporte rodoviário de cargas em 2025 mostrou que 88% das empresas consultadas relataram dificuldade para contratar motoristas e agregados. A falta de mão de obra foi apontada como a segunda maior limitação para o crescimento do setor.

O problema já está deixando equipamento parado. Entre as transportadoras pesquisadas que disseram possuir veículos ociosos, havia em média oito caminhões parados por empresa.

E um dos motivos aparece quando se observa quem está habilitado para dirigir veículos pesados.

Dados da Senatran analisados pelo ILOS indicam que o Brasil passou de aproximadamente 5,6 milhões de condutores habilitados nas categorias C e E em 2015 para cerca de 4,4 milhões em 2025. É uma queda de aproximadamente 1,2 milhão de motoristas, ou 22%, em dez anos.

O problema não é apenas a quantidade. A categoria também está envelhecendo.

Levantamento divulgado pelo setor apontou que, em 2024, somente 4,11% dos condutores analisados tinham até 30 anos, enquanto uma parcela expressiva estava acima dos 50 anos. Isso mostra que motoristas experientes estão envelhecendo sem uma entrada equivalente de jovens na profissão.

E não é difícil entender parte desse desinteresse.

O caminhoneiro pode passar dias longe da família, enfrentar filas para carregar e descarregar, insegurança nas estradas, pressão por horário e uma rotina que exige enorme responsabilidade. Esses fatores são citados pelo próprio setor entre as razões que dificultam a renovação da categoria.

Para quem trabalha como autônomo, ainda entram na conta combustível, pneus, manutenção, pedágio e o valor recebido pelo frete.

Para quem procura emprego como motorista contratado, existe outra barreira: ter CNH C ou E não significa automaticamente conseguir uma oportunidade nas operações mais pesadas. Muitas empresas procuram profissionais que já tenham experiência com carreta, bitrem, rodotrem ou cargas específicas, dificultando a entrada de quem acabou de mudar de categoria.

Os números de contratação mostram que o mercado continua movimentado. Segundo o Anuário do Transporte Rodoviário de Cargas da ANTT, 534.972 admissões de motoristas de caminhão foram registradas em 2025. O número representa admissões e não novos profissionais líquidos, porque também existem desligamentos ao longo do ano.

A mesma base mostra que o salário de admissão também ajuda a entender a discussão. Em 2025, metade dos motoristas admitidos estava numa faixa próxima de R$ 2.700 de salário-base de entrada, embora a remuneração real possa subir bastante conforme comissão, diária, tipo de carga, rota e empresa.

É justamente aí que surge uma contradição.

Existem brasileiros com interesse em dirigir caminhões, ao mesmo tempo em que transportadoras dizem não conseguir encontrar profissionais com o perfil, experiência e disponibilidade necessários para suas operações.

O resultado é que empresas começam a disputar motoristas experientes, enquanto profissionais mais antigos se aposentam ou procuram atividades que permitam permanecer mais perto de casa.

A falta de caminhoneiros no Brasil, portanto, não significa simplesmente que “ninguém quer trabalhar”. O problema mistura envelhecimento da categoria, pouca renovação, condições de trabalho, remuneração, exigência de experiência e uma rotina que perdeu atratividade para parte dos jovens.

E o alerta já saiu da conversa de pátio para os números: quando 88% das empresas pesquisadas dizem ter dificuldade para contratar e caminhões começam a ficar parados por falta de motorista, a escassez deixa de ser previsão e passa a ser um problema operacional do transporte brasileiro.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.