Empresas têm vagas, mas faltam motoristas de ônibus no Brasil

Conseguir motorista para colocar um ônibus na rua virou um problema para empresas de transporte em várias partes do Brasil. Há vagas abertas, mas encontrar profissionais habilitados e preparados para assumir o volante está cada vez mais difícil.
A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) informou em maio de 2026 que mais da metade das empresas operadoras de transporte coletivo urbano enfrenta dificuldades para contratar motoristas. A entidade trata a falta de profissionais qualificados como um dos problemas que já afetam a operação do setor.
O problema não aparece apenas nos ônibus que circulam dentro das cidades. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada em 2025, mostrou que quase metade das empresas de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros tinha vagas abertas para motoristas.
Um dos obstáculos está na própria entrada na profissão. Dirigir ônibus exige habilitação adequada e preparação específica. Trocar a categoria da CNH, passar pelos exames necessários e fazer a capacitação representa tempo e dinheiro para quem pensa em seguir nessa área.
Ao mesmo tempo, o número de profissionais vem caindo. Dados apresentados pelo SEST SENAT em audiência na Câmara dos Deputados apontaram uma redução de cerca de 1,4 milhão de motoristas profissionais no país em dez anos. O total passou de aproximadamente 13 milhões, em 2015, para 11,6 milhões em 2025. A entidade também chamou atenção para a menor presença de jovens e para o aumento de profissionais com mais de 60 anos.
Na prática, isso cria uma conta difícil para as empresas. Ônibus precisam cumprir horários todos os dias, inclusive à noite, nos fins de semana e feriados. Quando uma vaga demora para ser preenchida, organizar escalas e manter toda a operação rodando fica mais complicado.
A falta de gente já levou o próprio setor a buscar novas formas de atrair trabalhadores. Em 2026, o SEST SENAT abriu uma nova edição do programa Mais Motoristas, bancando despesas para mudança da CNH para categorias profissionais e oferecendo formação aos participantes. A iniciativa foi apresentada justamente como uma resposta à escassez de motoristas no transporte brasileiro.
O desafio agora não é apenas abrir vagas. As empresas precisam encontrar pessoas interessadas em entrar na profissão, conseguir a habilitação necessária e permanecer trabalhando no transporte de passageiros.
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