Grupo Caribus entra em recuperação judicial com dívida de R$ 16,4 milhões

O Grupo Caribus, que atua no setor de transportes em Mato Grosso, entrou oficialmente em recuperação judicial após declarar R$ 16,45 milhões em dívidas sujeitas ao processo.
A decisão foi tomada pela 1ª Vara Cível de Cuiabá e envolve a Caribus Transportes e Serviços Ltda., Expresso Caribus de Transportes S/A, o produtor rural Sérgio Iglesias Borges e a Lote 3 Participação Societária Ltda.
Além do transporte coletivo urbano, o grupo possui atividades relacionadas ao transporte escolar rural, pecuária, equinocultura e participação societária.
Segundo o pedido apresentado à Justiça, uma das principais causas da crise financeira teria sido o atraso e a falta de repasse integral de subsídios previstos no contrato de transporte coletivo mantido com o Município de Cuiabá.
O grupo afirma que precisou utilizar recursos próprios, contratar financiamentos e renegociar dívidas para continuar prestando os serviços.
Antes de autorizar a recuperação judicial, a Justiça determinou uma análise das condições das empresas. Foram avaliados documentos contábeis, fiscais e financeiros, além de realizadas visitas às unidades do grupo.
O laudo confirmou que as atividades continuavam funcionando e, segundo a decisão, não foram encontrados indícios contundentes de utilização fraudulenta da recuperação judicial.
Com isso, o juiz Márcio Aparecido Guedes autorizou o início do processo.
O Grupo Caribus terá agora 60 dias corridos, contados da publicação da decisão, para apresentar seu plano de recuperação.
A empresa Polaris Administração Judicial Ltda. foi nomeada para acompanhar o processo.
Dívidas ficam temporariamente protegidas
Com a recuperação judicial, execuções relacionadas às dívidas incluídas no processo ficam suspensas durante o período determinado pela Justiça.
Também ficam impedidas medidas como penhora, arresto, busca e apreensão e outras formas de retirada de bens relacionados aos créditos submetidos à recuperação.
O chamado stay period começou a contar em 21 de maio de 2026 e terá duração inicial de 180 dias.
A Justiça também considerou provisoriamente essenciais alguns bens utilizados pelo Grupo Caribus.
Na prática, esses ativos ficam protegidos contra medidas que possam retirá-los da operação durante o período de recuperação, justamente para permitir que as empresas continuem funcionando enquanto tentam reorganizar suas dívidas.
O descumprimento das determinações judiciais pode resultar em multa diária de R$ 5 mil.
A recuperação judicial não significa necessariamente que a empresa fechou ou decretou falência. O processo permite que empresas em dificuldade financeira tentem negociar suas dívidas enquanto mantêm as atividades.
Agora, credores poderão apresentar habilitações ou divergências, enquanto o Grupo Caribus prepara o plano que mostrará como pretende pagar as dívidas e continuar operando.
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