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Caminhoneiro

Estimativa aponta que metade dos motoristas de ônibus de SP trabalha fora do expediente para complementar renda

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Estimativa aponta que metade dos motoristas de ônibus de SP trabalha fora do expediente para complementar renda
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Quase 30 mil motoristas trabalham no sistema de ônibus da cidade de São Paulo. Para parte deles, porém, o expediente não termina quando o coletivo volta para a garagem. Depois de horas no trânsito, alguns trocam o ônibus pelo carro de aplicativo ou pela moto para tentar aumentar a renda.

O tema pesa porque esses profissionais passam o dia transportando passageiros pelas vias movimentadas da capital paulista.

Uma reportagem sobre a rotina desses profissionais trouxe um alerta para a falta de descanso. A estimativa citada pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) é de que pelo menos metade dos motoristas tenha uma segunda atividade. Não existe, porém, um levantamento oficial que mostre quantos trabalham também em plataformas.

Dados informados pela SPTrans apontam 29,8 mil motoristas cadastrados no sistema municipal de ônibus. Em julho, o Diário do Transporte mostrou que a prática de dirigir ônibus e fazer corridas por aplicativo já preocupa empresas e profissionais do setor. Relatos de garagens apontam cansaço, falta de atenção e aumento de afastamentos médicos.

O descanso entre dois períodos de trabalho não foi criado por acaso. A CLT determina um intervalo mínimo de 11 horas consecutivas entre duas jornadas. O problema aparece quando essas horas, que deveriam servir para recuperação, são usadas em outro serviço ao volante.

A falta de sono pode pesar diretamente na direção. O CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, aponta que a sonolência reduz o tempo de reação, diminui a atenção e prejudica a tomada de decisões. Pesquisas sobre privação de sono também mostram que o desempenho de uma pessoa muito cansada pode chegar a níveis parecidos com os observados após consumo de álcool.

Na prática, isso significa que um motorista pode continuar acordado e dirigindo, mas responder mais devagar a uma freada, mudança de faixa, pedestre atravessando ou outro imprevisto no trânsito.

O sindicato da categoria reconhece o risco, mas aponta a renda como uma das razões para a dupla atividade. Na reportagem, a remuneração de um motorista de ônibus foi estimada em cerca de R$ 4 mil. Para trabalhadores que precisam completar o orçamento, os aplicativos acabam virando uma saída depois do expediente.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que a SPTrans, como gestora do sistema, não interfere diretamente na relação de trabalho nem na jornada dos empregados das concessionárias. Segundo a administração municipal, cabe às empresas operadoras garantir condições de saúde e segurança aos funcionários.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.