Caminhoneiro precisa falar outra língua para trabalhar na Europa? Nem sempre
Não saber falar inglês, polonês ou lituano fluentemente não significa automaticamente que um caminhoneiro brasileiro está fora das vagas oferecidas por transportadoras europeias.
A exigência depende da empresa, do país e da operação. Há transportadoras que contratam estrangeiros sem exigir fluência em outro idioma, principalmente quando possuem equipes preparadas para receber trabalhadores de outros países.
Um exemplo recente é a oferta da Bianco Logistic, da Polônia, destinada a motoristas com habilitação C+E. Entre os requisitos apresentados estão experiência com veículos pesados, responsabilidade, pontualidade e capacidade de trabalhar de forma independente. No material da vaga enviado aos candidatos, não aparece exigência de fluência em polonês ou inglês.
Isso não significa que idioma deixou de fazer diferença.
Saber algumas palavras em inglês ou na língua do país facilita bastante situações como carga e descarga, abastecimento, fiscalização, conversa com despachantes e comunicação dentro das empresas.
Mas a tecnologia diminuiu uma barreira que há alguns anos era muito maior.
Celular consegue traduzir uma conversa praticamente em tempo real
Aplicativos atuais conseguem ouvir uma pessoa falando em outro idioma e apresentar a tradução imediatamente na tela ou por áudio.
O Google Tradutor, por exemplo, possui tradução ao vivo em português, inglês, polonês, alemão, francês, espanhol, lituano e dezenas de outros idiomas. O modo conversa permite que duas pessoas falem alternadamente e escutem a tradução pelo próprio telefone ou pelos fones de ouvido.
Isso pode ajudar um brasileiro que chega a um depósito na Alemanha e precisa conversar com um funcionário alemão, ou durante uma entrega na França, Espanha ou Polônia.
A câmera do celular também pode traduzir textos, enquanto mensagens recebidas por aplicativos podem ser copiadas e traduzidas rapidamente.
Até fones já fazem tradução
A tecnologia avançou também para os fones de ouvido.
O Google informa que sua tradução ao vivo pode funcionar com fones conectados ao celular, permitindo que o usuário escute a tradução de uma fala em tempo real.
Para um caminhoneiro internacional, isso pode ser útil principalmente fora da cabine: conversa no pátio, instruções em empresas, postos de combustível ou atendimento em estabelecimentos.
O motorista, evidentemente, não deve manipular o telefone ou qualquer dispositivo enquanto dirige.
Empresas europeias já convivem com motoristas estrangeiros
Isso também ajuda a explicar por que algumas transportadoras conseguem contratar pessoas que ainda não dominam o idioma local.
Na Lituânia, por exemplo, dados da rede europeia EURES mostram que aproximadamente 150 mil estrangeiros trabalham no país, e uma das ocupações com maior presença de trabalhadores de fora é justamente a de motorista de caminhão pesado e transporte internacional.
A própria União Europeia reconhece que transporte e logística enfrentam falta de trabalhadores e envelhecimento da mão de obra.
Mas não é correto dizer que idioma nunca é exigido
Cada vaga possui suas próprias regras.
A rede oficial EURES explica que é possível trabalhar na União Europeia apenas com inglês em determinadas situações, mas isso depende do cargo e do empregador. Alguns trabalhos exigem conhecimento da língua local.
Na Lituânia, por exemplo, o EURES recomenda que quem pretende morar e trabalhar no país tenha pelo menos conhecimento básico de lituano, mesmo com grande presença de trabalhadores estrangeiros.
Para o brasileiro interessado em uma vaga de caminhoneiro, portanto, a pergunta principal antes de desistir por causa do idioma é simples: a empresa realmente exige outro idioma?
Quando não exige, celular, tradutor de voz e fones podem resolver boa parte da comunicação inicial. Aprender inglês básico e algumas expressões usadas no transporte continua sendo uma vantagem, mas não falar fluentemente outra língua já não impede, por si só, um motorista de tentar uma vaga na Europa.
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