Correios acumulam prejuízos e nova greve pode aumentar pressão sobre as contas da estatal
Os Correios entraram em uma nova greve justamente quando tentam colocar as contas em ordem. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026 e outros R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre. Apesar da perda continuar alta, houve melhora de 24,4% entre um trimestre e outro.
A paralisação dos trabalhadores começou em 10 de setembro, depois que as negociações do acordo coletivo terminaram sem consenso. Um dos principais impasses envolve o plano de saúde da categoria. O Tribunal Superior do Trabalho determinou que 80% dos funcionários permaneçam trabalhando durante a greve.
Mesmo sem uma paralisação total, uma greve prolongada chega em um momento complicado para a empresa. Os Correios estão tentando recuperar receitas, rever contratos e reduzir despesas dentro de seu plano de reestruturação. No segundo trimestre, a receita líquida subiu de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões na comparação com os três primeiros meses do ano.
Um problema semelhante já apareceu nas contas da estatal após dificuldades operacionais anteriores. Em março de 2026, os Correios pagaram R$ 30,5 milhões em indenizações por atrasos de encomendas. No mesmo mês de 2025, esse gasto havia sido de R$ 2 milhões. A Agência Brasil informou que o aumento refletiu problemas operacionais enfrentados pela companhia, especialmente depois da greve registrada no fim de 2025.
Uma paralisação também pode mexer com a relação da empresa com clientes que dependem de entregas frequentes. Atrasos prolongados podem levar lojistas e grandes remetentes a buscar outras transportadoras, num setor em que os Correios já enfrentam forte concorrência nas encomendas.
A própria estatal colocou em funcionamento um plano para reduzir os efeitos da greve atual. Funcionários administrativos estão sendo deslocados para áreas operacionais, veículos estão sendo remanejados e mutirões foram organizados para manter o fluxo das encomendas.
Do lado dos trabalhadores, a greve é usada para pressionar por um novo acordo. A FINDECT afirma que, além do plano de saúde, a pauta envolve salários, benefícios, manutenção de direitos e condições de trabalho. A última proposta dos Correios previa reajuste de 100% do INPC, de 4,35%, nos salários de 2026, mas as negociações terminaram sem acordo principalmente por causa da assistência à saúde.
Os Correios ainda carregam o resultado de 2025, quando registraram prejuízo de aproximadamente R$ 8,5 bilhões. Agora, a empresa tenta reduzir perdas e recuperar faturamento ao mesmo tempo em que administra os efeitos da nova paralisação.
Comentários
0