Pular para o conteudo
Caminhoneiro

Falta de motoristas faz transportadoras europeias investir em contratação de caminhoneiros do Brasil

3 minutos de leitura
CAMINHONEIRO-NA-EUROPA
Publicidade

A dificuldade para encontrar motoristas profissionais na Europa está fazendo transportadoras olharem cada vez mais para fora do continente. E o Brasil já entrou diretamente no radar de empresas que precisam colocar caminhões para rodar.

Um relatório divulgado pela IRU em junho aponta aproximadamente 502 mil vagas de caminhoneiro não preenchidas na Europa, o equivalente a cerca de 13% dos postos de trabalho pesquisados no setor. Para 65% das transportadoras europeias consultadas, a falta de motoristas já é a principal preocupação do negócio.

O problema pode aumentar. Cerca de 20% dos atuais motoristas europeus devem se aposentar nos próximos cinco anos, enquanto a entrada de jovens na profissão continua insuficiente. Dois em cada três operadores disseram que já precisaram rejeitar novos contratos porque não tinham motoristas disponíveis.

É nesse cenário que os brasileiros começaram a ganhar espaço.

Na Polônia, Bianco Logistic e TAS Logistyka vieram diretamente ao Brasil em junho de 2026 para entrevistar caminhoneiros em São Paulo. A agência envolvida na seleção afirmou que a intenção era chegar a pelo menos 50 motoristas recrutados por mês para transportadoras polonesas.

E a busca não estaria limitada à Polônia. A mesma operação de recrutamento informou trabalhar com oportunidades também para empresas da Croácia, Lituânia, Letônia e Itália.

Empresas estão pagando documentação e treinamento

Trazer um caminhoneiro brasileiro para a Europa envolve muito mais do que oferecer uma passagem.

O profissional precisa passar por processos de imigração, autorização de trabalho e adaptação às qualificações exigidas no transporte europeu. Dependendo da operação, isso inclui o chamado Code 95, necessário para o exercício profissional em diversos países da União Europeia.

A polonesa Logistic-Evex é um exemplo claro dessa nova estratégia. A empresa criou uma página inteira em português voltada a motoristas brasileiros e sul-americanos.

A companhia procura profissionais com categoria C+E e pelo menos três anos de experiência com semirreboque. A oferta divulgada atualmente apresenta uma remuneração líquida de referência de € 2.600 por mês, moradia, curso Code 95 pago e apoio com visto e permissão de trabalho.

A empresa já começou a receber brasileiros e, segundo informações divulgadas pelo Brasil do Trecho, cerca de 30 motoristas estavam em processo de documentação para seguir para a Polônia.

Brasileiro pode virar parte da solução

A contratação internacional não resolve sozinha a falta de mão de obra. A própria IRU afirma que a Europa também precisa atrair jovens, melhorar as condições de trabalho e facilitar o acesso à profissão.

Mas a organização já considera a mobilidade legal de motoristas entre países uma das ferramentas para enfrentar a escassez. A entidade afirma que o problema deixou de ser temporário e passou a afetar diretamente capacidade de transporte, crescimento das empresas e confiabilidade das cadeias logísticas.

Para o caminhoneiro brasileiro experiente, isso cria um movimento pouco comum alguns anos atrás: empresas europeias estão dispostas a investir em documentação, treinamento e adaptação para trazer profissionais do Brasil e colocá-los em suas frotas.

E, com centenas de milhares de postos ainda vagos e uma parcela importante dos motoristas europeus próxima da aposentadoria, a procura por profissionais brasileiros pode continuar crescendo nos próximos anos.

Publicidade
Conversa

Comentários

0

Deixe seu comentário

Compartilhe sua opinião e participe da conversa.

Seja respeitoso e direto.0/3000

Ainda não há comentários. Seja a primeira pessoa a participar da conversa.
Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.