Profissão de motorista de ônibus perde espaço entre os jovens e empresas enfrentam falta de profissionais
A profissão de motorista de ônibus, que durante décadas foi motivo de orgulho e garantia de emprego para milhares de brasileiros, enfrenta dificuldades para atrair uma nova geração de trabalhadores. O volante de um coletivo já não parece despertar entre os jovens o mesmo interesse de antigamente.
As longas jornadas, o trânsito pesado, a responsabilidade de transportar dezenas de passageiros e os riscos de violência fazem parte da rotina de quem trabalha no setor. Para quem está começando a vida profissional, essas condições podem pesar na hora de escolher uma carreira.
A falta de profissionais já aparece nas empresas. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontou que 53,4% das empresas de ônibus urbanos e metropolitanos consultadas relatavam escassez de motoristas. O problema não significa necessariamente falta de pessoas habilitadas, mas também dificuldade para contratar trabalhadores dispostos a enfrentar a rotina.
Outro obstáculo está na própria formação. Para dirigir ônibus, o profissional precisa ter CNH na categoria D ou E, cumprir os requisitos legais e realizar o curso especializado exigido para o transporte coletivo de passageiros. Tudo isso exige tempo e investimento antes mesmo de conseguir uma vaga.
Enquanto motoristas mais antigos se aproximam da aposentadoria, as empresas precisam encontrar novos trabalhadores para ocupar esses postos. Ainda não existem dados nacionais suficientes para afirmar que os jovens abandonaram a profissão, mas a dificuldade de contratação já é relatada por empresas do transporte coletivo.
O salário também entra nessa conta. Dependendo da região, a remuneração oferecida pode não compensar, na avaliação dos candidatos, os horários irregulares, o trabalho aos fins de semana e a responsabilidade de conduzir um veículo cheio de passageiros.
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