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Nissan avança com corte de 20 mil empregos e redução de 7 fábricas pelo mundo

4 minutos de leitura
NISSAN
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A Nissan está colocando em prática uma das maiores reestruturações de sua história recente. A montadora japonesa trabalha para reduzir 20 mil postos de trabalho em todo o mundo e diminuir sua estrutura de produção de 17 para 10 fábricas até o ano fiscal de 2027. O movimento faz parte do plano Re:Nissan, apresentado pela empresa para cortar despesas e recuperar a rentabilidade.

O plano não ficou apenas no anúncio. Em balanço divulgado em 2026, a própria Nissan informou que já havia anunciado as mudanças envolvendo as sete unidades previstas na reestruturação em apenas dez meses. Para este ano fiscal, a meta é concluir a consolidação de seis delas, deixando a operação de Oppama, no Japão, para a etapa seguinte.

As mudanças atingem operações na Argentina, Índia, Japão, México e África do Sul. Entre elas estão as fábricas de Oppama e Nissan Shatai Shonan, no Japão, Civac e COMPAS, no México, além da operação argentina, da participação na fábrica RNAIPL, na Índia, e da unidade de Rosslyn, na África do Sul.

Apesar de muitas vezes o plano ser tratado como “fechamento de sete fábricas”, a situação muda de uma unidade para outra. A Nissan usa principalmente o termo consolidação da produção. Em alguns locais haverá encerramento da fabricação de veículos, enquanto outros passam por transferência da produção ou venda de ativos. Na Índia, por exemplo, a Nissan vendeu sua participação de 51% na fábrica para a Renault, que continuaria produzindo veículos Nissan.

Em Oppama, uma das fábricas mais tradicionais da companhia no Japão, a montagem de veículos será transferida para a Nissan Motor Kyushu. A unidade começou a operar em 1961 e ficou marcada também pela produção do Leaf elétrico. A transferência deve ser concluída até o ano fiscal de 2027.

O México também entrou no corte. A produção da fábrica de Civac foi direcionada para Aguascalientes. Inaugurada em 1966, Civac foi a primeira unidade industrial da Nissan construída fora do Japão e produziu mais de 6,5 milhões de veículos ao longo de sua história.

Do lado dos funcionários, a Nissan estabeleceu como alvo uma redução total de 20 mil trabalhadores entre os anos fiscais de 2024 e 2027. Cerca de 65% do ajuste previsto está ligado à manufatura, enquanto outras reduções alcançam áreas administrativas, vendas e desenvolvimento. Programas de desligamento voluntário já foram colocados em prática em países como Estados Unidos, Reino Unido e Japão.

A pressão financeira ajuda a explicar o tamanho do corte. No ano fiscal de 2025, a Nissan registrou prejuízo líquido de 533,1 bilhões de ienes. A receita consolidada ficou em aproximadamente 12 trilhões de ienes. A companhia também reduziu investimentos e gastos com pesquisa e desenvolvimento enquanto tentava reorganizar sua estrutura.

A produção mundial também está sendo redimensionada. A empresa pretende baixar sua capacidade de aproximadamente 3,5 milhões para 2,5 milhões de veículos, fora a operação chinesa, tentando colocar as fábricas restantes para trabalhar com um nível maior de utilização.

Para o público brasileiro, há uma diferença importante: a fábrica de Resende, no Rio de Janeiro, não faz parte das sete unidades atingidas pelo plano global de consolidação. Pelo contrário, a Nissan mantém um ciclo de investimento de R$ 2,8 bilhões no Brasil, destinado à produção de SUVs e de um novo motor. Em agosto de 2026, a empresa ainda inaugurou em Resende um Centro Integrado de Engenharia e Qualidade de R$ 20 milhões.

A operação brasileira produz atualmente modelos como Nissan Kicks e Kait. O investimento recente em Resende mostra que, enquanto corta capacidade em determinadas regiões do mundo, a Nissan mantém o Brasil dentro de sua estratégia para a América Latina.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.