Pular para o conteudo
Noticias

Inadimplência de brasileiros de alta renda sobe quase 40% em um ano, aponta Banco Central

3 minutos de leitura
ESTADOS-MAIS-POBRES-DO-BRASIL
Publicidade

A inadimplência entre os brasileiros de maior renda subiu quase 40% em apenas um ano. Os dados são do Sistema de Informações de Créditos (SCR), base mantida pelo Banco Central que reúne informações sobre operações de crédito no país.

O levantamento mostra que o avanço dos calotes atingiu com força quem ganha entre 10 e 20 salários mínimos por mês, assim como quem recebe acima desse patamar. Até pouco tempo, esse grupo era visto como o mais protegido contra oscilações de renda e perda de emprego.

A comparação com faixas de renda mais baixas chama atenção. Nelas, o crescimento da inadimplência foi proporcionalmente menor no mesmo período analisado pelo Banco Central. O movimento inverte uma lógica histórica do mercado de crédito brasileiro, em que o risco de calote costuma ser maior entre quem ganha menos.

No cartão de crédito, o cenário é ainda mais grave. A inadimplência nessa modalidade chegou a crescer 50,1% entre os brasileiros de alta renda, segundo o SCR. O cartão continua sendo uma das formas de crédito mais usadas pelos brasileiros, mas também uma das mais caras.

Os juros ajudam a explicar o tamanho do problema. A taxa do rotativo do cartão de crédito, cobrada de quem não paga a fatura integral, está em 451,7% ao ano. Já o parcelamento da fatura, alternativa usada por quem não consegue quitar a dívida de uma vez, tem taxa de 193% ao ano.

Com juros nesse patamar, uma dívida que começa pequena pode se multiplicar em poucos meses. Quem recorre ao rotativo ou ao parcelamento do cartão sem conseguir se reorganizar financeiramente tende a ver o saldo devedor crescer rapidamente, mesmo com renda considerada alta.

O crescimento da inadimplência acontece em paralelo à expansão do crédito no país. O estoque de crédito para pessoas físicas chegou a R$ 4,7 trilhões, de acordo com o Banco Central. Somando pessoas físicas e jurídicas, o volume total de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) soma R$ 7,4 trilhões.

Mais crédito disponível significa mais brasileiros com acesso a financiamentos, cartões e empréstimos pessoais. Mas também abre espaço para o endividamento excessivo, especialmente quando os juros cobrados são altos.

A taxa média de juros para operações de crédito destinadas a pessoas físicas estava em 62,4% ao ano em setembro, segundo o Banco Central. O número reforça o custo elevado do crédito no Brasil, mesmo fora das modalidades mais caras, como o rotativo do cartão.

Para quem está com o nome negativado ou enfrenta dificuldade para pagar as contas, órgãos como o Serasa oferecem ferramentas de negociação de dívidas e simulações de parcelamento diretamente com os credores. Buscar renegociação antes que a dívida se acumule costuma ser mais barato do que recorrer ao crédito rotativo do cartão.

Os dados do SCR mostram que a alta renda deixou de ser sinônimo de segurança financeira. O crescimento simultâneo do crédito e dos juros elevados tem pressionado o orçamento de famílias em diferentes faixas de renda, inclusive entre aquelas que ganham mais de 20 salários mínimos por mês.

Publicidade
Conversa

Comentários

0

Deixe seu comentário

Compartilhe sua opinião e participe da conversa.

Seja respeitoso e direto.0/3000

Ainda não há comentários. Seja a primeira pessoa a participar da conversa.
Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.