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Financiamento

Novo Desenrola Brasil termina com inadimplência em nível recorde no país

4 minutos de leitura
Caminhoneiro sem muita grana no bolso
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O Novo Desenrola Brasil chega ao fim nesta segunda-feira, 31 de agosto, depois de três meses oferecendo condições especiais para brasileiros renegociarem dívidas bancárias. O encerramento acontece justamente quando os indicadores de inadimplência do Banco Central atingem os maiores níveis da série histórica em algumas modalidades.

O programa havia sido lançado em maio e inicialmente terminaria em 2 de agosto. O Ministério da Fazenda prorrogou o prazo até o último dia deste mês e, até agora, não anunciou nova extensão.

Até o início da última semana de agosto, aproximadamente 5,03 milhões de dívidas haviam sido renegociadas.

Antes dos descontos, esses débitos somavam R$ 26,33 bilhões. Após os acordos, o montante caiu para cerca de R$ 5,27 bilhões, segundo dados divulgados sobre o programa.

A redução representa aproximadamente R$ 21 bilhões entre o valor original das dívidas e o montante renegociado.

Inadimplência atingiu recorde em julho

Ao mesmo tempo, os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central mostram uma piora nos atrasos do sistema financeiro.

Em julho, a inadimplência das operações de crédito com recursos livres chegou a 6,4%, aumento de 0,4 ponto percentual em apenas um mês e de 0,9 ponto em 12 meses.

Entre as pessoas físicas, a situação é ainda mais elevada: a taxa chegou a 7,8%, avançando 0,4 ponto percentual no mês e 1,1 ponto em relação a julho do ano anterior.

Esse é o maior nível registrado na série do Banco Central, iniciada em 2011, para a inadimplência do crédito livre.

O comprometimento da renda das famílias com dívidas também aumentou. Em junho, atingiu 28,9%, alta de 1,7 ponto percentual em 12 meses. O endividamento das famílias ficou em 49,8% da renda.

Programa ofereceu desconto de até 90%

O Novo Desenrola foi voltado a pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente R$ 8.105, que possuíam determinadas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e atrasadas entre 91 dias e dois anos.

Entraram na renegociação operações como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem consignação.

Dependendo do tipo e do tempo de atraso, os descontos chegaram a 90% do valor da dívida. Nos acordos financiados, a taxa máxima ficou em 1,99% ao mês, com pagamento em até 48 meses e parcela mínima de R$ 50.

O programa também permitiu, em determinadas situações, utilizar recursos do FGTS para amortizar ou quitar os débitos renegociados.

Recorde de inadimplência não significa que o programa tenha provocado aumento

Os dois números precisam ser separados.

O fato de o Desenrola terminar enquanto a inadimplência está em nível recorde não permite concluir que o programa fracassou ou tenha provocado o aumento dos atrasos.

O Desenrola atende um grupo específico de consumidores e determinadas modalidades de dívida. Já os indicadores do Banco Central medem uma parcela muito maior do mercado de crédito brasileiro.

Mesmo com milhões de acordos realizados, novas famílias podem ter entrado em atraso no mesmo período, enquanto outras renegociaram dívidas antigas.

Os números indicam que a renegociação conseguiu reduzir dívidas de milhões de consumidores, mas não foi suficiente para impedir o avanço geral da inadimplência no país.

Último dia para fechar acordo

O prazo de 31 de agosto vale para a formalização da renegociação, e não apenas para demonstrar interesse.

O consumidor precisa procurar diretamente o banco onde possui a dívida. Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank estão entre as instituições participantes citadas na divulgação do programa.

A participação dos bancos é voluntária, e cada instituição verifica se o consumidor e a dívida atendem aos critérios.

Com o encerramento do Novo Desenrola, o país termina agosto com uma fotografia contraditória: mais de 5 milhões de dívidas renegociadas e, ao mesmo tempo, uma inadimplência de 7,8% entre pessoas físicas no crédito livre, mostrando que o peso das dívidas continua elevado para parte considerável das famílias brasileiras.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.