Lecar abandona carros de passeio e aposta tudo em caminhões elétricos e híbridos
A startup brasileira Lecar decidiu abandonar os planos de produzir carros de passeio. A empresa vai concentrar os investimentos em caminhões elétricos e híbridos, um mercado com demanda crescente entre empresas que buscam reduzir emissões de carbono em suas frotas.
A mudança de rota marca o fim de um ciclo que começou com promessas ambiciosas. A Lecar chegou a apresentar os modelos Lecar 459 e Lecar Campo, ambos elétricos, como aposta para o mercado de passeio no Brasil.
Os planos, no entanto, sofreram sucessivos adiamentos. O cronograma de produção foi revisado diversas vezes e a startup chegou a ser suspensa do programa federal Mover, que concede incentivos fiscais à indústria automotiva.
Agora, a aposta da empresa tem nome: LeTruck. O projeto prevê a fabricação de caminhões leves e pesados elétricos e híbridos, voltados a frotas comerciais e logísticas.
A produção vai seguir o modelo SKD, sigla em inglês para Semi Knock-Down. Nesse sistema, os veículos chegam parcialmente desmontados ao Brasil e passam pela etapa final de montagem em território nacional.
A tecnologia e os componentes virão de parceiros chineses, país que lidera a produção global de veículos elétricos e já domina boa parte da cadeia de baterias e powertrains híbridos.
A fábrica da Lecar está instalada em Sooretama, no interior do Espírito Santo. O investimento previsto na planta soma R$ 870 milhões.
O início das operações, inicialmente planejado para datas anteriores, foi adiado para o fim de 2027. A startup não detalhou publicamente os motivos específicos do novo atraso.
O mercado de caminhões elétricos e híbridos tem atraído atenção de transportadoras e empresas de logística que precisam cumprir metas ESG e reduzir a pegada de carbono de suas operações.
A pressão por frotas descarbonizadas cresce no Brasil, impulsionada por exigências de grandes contratantes e por políticas públicas voltadas à transição energética no setor de transporte de cargas.
Ainda assim, a viabilidade do projeto LeTruck depende de fatores como custo final dos veículos, infraestrutura de recarga para frotas pesadas e capacidade da Lecar de cumprir o novo prazo estabelecido para 2027.
A troca de foco também expõe os desafios enfrentados por startups do setor automotivo no Brasil, onde a entrada de novos fabricantes esbarra em exigências regulatórias, escala de produção e concorrência com montadoras já consolidadas.
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