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Ônibus modernos, pressão alta e salário curto afastam novos motoristas

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Ônibus modernos, pressão alta e salário curto afastam novos motoristas

A falta de motorista de ônibus deixou de ser apenas um problema de contratação e passou a mostrar uma mudança maior dentro do setor. O ônibus ficou mais moderno, a operação ficou mais vigiada, a cobrança aumentou e a remuneração nem sempre acompanha o peso da função.

Hoje, o motorista não apenas dirige. Ele lida com trânsito travado, passageiro com pressa, horários apertados, bilhetagem eletrônica, câmeras, rastreamento, telemetria e cobrança por desempenho. Em muitos sistemas, cada freada, aceleração, atraso ou parada fora do padrão pode virar dado para análise da empresa.

A tecnologia ajuda na segurança e no controle da frota, mas também deixou o trabalho mais exposto. O profissional trabalha sabendo que a operação está sendo acompanhada quase em tempo real. Para quem já enfrenta barulho, calor, tensão no trânsito e cobrança de passageiros, isso aumenta a sensação de pressão durante o turno.

Outro ponto é o salário. A função exige responsabilidade grande, já que um ônibus cheio pode levar dezenas de pessoas ao mesmo tempo. O motorista precisa ter atenção constante, paciência, domínio do veículo e preparo para lidar com imprevistos. Ainda assim, em várias cidades, a remuneração é vista como baixa perto do nível de cobrança e do desgaste diário.

A escala também pesa. O trabalho começa cedo para alguns, termina tarde para outros e pode incluir fins de semana, feriados, horas extras e pouco tempo real de descanso. A vida pessoal fica apertada, principalmente para quem depende de deslocamento longo até a garagem ou precisa fazer renda extra para fechar o mês.

Com esse cenário, muitos jovens olham para a profissão e não enxergam futuro. A carteira exigida, os cursos, a responsabilidade, o risco no trânsito e a pressão do dia a dia acabam afastando novos interessados. Ao mesmo tempo, parte dos motoristas mais antigos busca outras ocupações ou tenta migrar para serviços com mais flexibilidade.

O resultado aparece nas garagens, nas escalas e na espera dos passageiros. Quando falta motorista, a empresa tem dificuldade para colocar todos os ônibus na rua. A viagem atrasa, a linha fica mais cheia e a cobrança volta para quem está ao volante.

A crise mostra que modernizar a frota não resolve tudo. Sem valorização, treinamento, escala mais humana e salário compatível com a responsabilidade, o setor pode ter ônibus cada vez mais tecnológicos, mas menos gente disposta a dirigir.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.