Fertilizantes caros e dívidas preocupam produtores de soja em Mato Grosso para a próxima safra

A poucos meses do início do plantio da próxima safra, produtores de soja de Mato Grosso enfrentam um cenário que tem gerado preocupação em diversas regiões do estado. O aumento dos custos de produção, principalmente dos fertilizantes e defensivos agrícolas, somado ao crédito mais restrito e às margens apertadas, tem levado muitos agricultores a rever investimentos e adotar uma postura mais cautelosa para a temporada 2026/27.
Em municípios como Sorriso e Ipiranga do Norte, dois importantes polos agrícolas do país, produtores afirmam que os preços atuais da soja não acompanham o crescimento das despesas da atividade. O resultado é uma redução da rentabilidade e o aumento da preocupação com a capacidade de manter o ritmo de produção nos próximos anos.
Levantamentos recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que os custos seguem pressionados. Apenas em abril, o custeio projetado para a soja em Mato Grosso chegou a R$ 4.286,89 por hectare, influenciado principalmente pela alta dos fertilizantes e dos defensivos agrícolas. Os fertilizantes registraram aumento de 2,73% no período analisado, enquanto os defensivos tiveram alta de 2,17%.
Outro fator que preocupa o setor é a dependência de insumos importados. Tensões geopolíticas internacionais e incertezas logísticas continuam impactando o mercado global de fertilizantes, criando um ambiente de instabilidade para quem ainda precisa fechar parte das compras para a próxima safra.
Apesar das dificuldades, Mato Grosso continua projetando uma safra robusta. O Imea estima que a área cultivada com soja alcance 13,05 milhões de hectares, com produção próxima de 48,9 milhões de toneladas. No entanto, especialistas alertam que esses números dependem de condições econômicas favoráveis e da capacidade dos produtores de financiar a próxima temporada.
O endividamento também aparece entre os principais desafios relatados pelos agricultores. Muitos produtores ainda carregam compromissos financeiros de ciclos anteriores e enfrentam juros mais elevados para obtenção de novos financiamentos. Esse cenário tem reduzido a capacidade de investimento em tecnologia, correção de solo e ampliação de área cultivada.
Diante desse quadro, lideranças do setor defendem medidas que facilitem o acesso ao crédito rural e garantam condições para que os produtores consigam manter a atividade economicamente viável. A preocupação é que a combinação entre custos elevados e rentabilidade limitada acabe reduzindo os investimentos no campo e impactando a produção nos próximos anos.
Mesmo com as incertezas, agricultores seguem acompanhando o mercado e planejando a próxima safra. A expectativa é de que os preços da soja, o comportamento do dólar e os custos dos insumos nas próximas semanas sejam decisivos para definir o nível de investimento que será adotado nas lavouras mato-grossenses.
Redação: Brasil do Trecho
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