Caminhoneiro

Antigamente, o medo era de ladrão hoje, é da PRF, desabafou o caminhoneiro ao falar sobre a pressão

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Antigamente, o medo era de ladrão hoje, é da PRF, desabafou o caminhoneiro ao falar sobre a pressão

Um caminhoneiro experiente abriu o jogo sobre o desânimo com a boleia e mostrou um lado pouco visto por quem acompanha o frete apenas de fora. Para ele, a estrada continua sendo parte da vida, mas o peso da fiscalização da PRF, das regras e da falta de pontos seguros de parada deixou o trabalho mais pesado do que era antes.

A fala mais forte aparece quando o motorista compara o medo antigo da criminalidade com o receio atual de ser parado e autuado. No depoimento, ele não trata o descanso como algo sem valor. O incômodo está na cobrança feita em locais onde parar nem sempre significa repousar de verdade. O caminhão pode ficar desligado, o tacógrafo pode registrar a pausa, mas o corpo continua em alerta quando o ponto é inseguro, quente, sem banheiro, sem comida ou sem espaço adequado.

A legislação do motorista profissional prevê 11 horas de descanso dentro de 24 horas de trabalho. A intenção é reduzir fadiga e acidentes, mas a aplicação prática depende de estrutura. Os PPDs foram criados para oferecer banheiro, área de alimentação, estacionamento, iluminação e segurança. O avanço existe, porém ainda não acompanha o tamanho da malha usada pelo frete.

Esse descompasso aparece na fala do entrevistado. Ele diz que tenta se programar, mas nem sempre encontra uma parada boa no trecho certo. O resultado é uma pausa no papel e pouco descanso na vida real. Essa diferença ajuda a explicar por que parte da categoria sente que a regra chega antes da condição mínima para cumprir a regra.

O caminhoneiro também reclama de exigências vistas por ele como distantes da boleia, como discussões sobre geladeira de cabine, buzina marítima e adesivo de ponto cego. Na visão dele, parte dessas decisões nasce longe do asfalto, sem a escuta de quem passa dias carregando, descarregando, dormindo mal e lidando com prazo apertado.

O lado mais humano surge quando ele conta que já parou duas vezes, vendeu o caminhão e tentou outro caminho. Voltou rápido. A boleia, segundo ele, virou um tipo de vício, porque é o que sabe fazer e o que ocupa a cabeça. Hoje, o plano é seguir trabalhando enquanto busca uma estrutura melhor para ficar mais perto da família e, talvez, tocar a vida em um pedaço de terra. Até lá, o frete segue como sustento, costume e também como peso emocional.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.