Ônibus

Jornada de 44 horas e salário médio de R$ 2 mil afastam novos motoristas de ônibus

Ildemar Ribeiro2 minutos de leitura
Jornada de 44 horas e salário médio de R$ 2 mil afastam novos motoristas de ônibus

O motorista de ônibus no Brasil vive uma rotina que passa longe da imagem simples de apenas dirigir pela cidade. Por trás do banco alto, do uniforme e do contato diário com passageiros, existe uma profissão marcada por cobrança, trânsito pesado, risco de violência, desgaste físico e salário que nem sempre acompanha o tamanho da responsabilidade.

Dados recentes do Portal Salário, com base no CAGED, mostram que o motorista de ônibus urbano ganha em média R$ 2.925,84 por mês, com jornada média de 43 horas por semana. A função aparece como uma das mais presentes na vida das cidades, mas ainda carrega uma diferença grande entre o serviço prestado e o reconhecimento recebido.

A rotina começa cedo para boa parte desses profissionais. Antes de muita gente sair de casa, o ônibus já está rodando. O motorista precisa cumprir horário, lidar com vias cheias, desviar de motos, observar pedestres, controlar o embarque, responder passageiro irritado e manter atenção total durante horas. Um erro pequeno pode virar acidente, atraso ou reclamação.

A pressão também chegou ao debate salarial. Um projeto em análise na Câmara dos Deputados propõe piso de R$ 4 mil para motoristas do transporte coletivo em cidades e regiões metropolitanas com mais de 200 mil habitantes. A proposta cita jornada de 44 horas semanais e reajuste anual pela inflação, ponto que mostra como a valorização da função entrou de vez na pauta trabalhista.

O desgaste mental é outro lado forte dessa história. A Fundacentro publicou material sobre agentes estressores no trabalho de motoristas e cobradores, com destaque para sintomas ligados ao estresse e orientações para reduzir riscos no ambiente de trabalho. O problema aparece no cansaço acumulado, na ansiedade, na irritação e no medo de sofrer agressões.

No Rio de Janeiro, esse medo ganhou números duros. Em 2025, dados citados pelo SBT News apontaram 78 motoristas afastados por agressões e mais de 300 por constrangimento. A procura por atendimento psicológico passou de 25 para mais de 60 consultas por semana.

Ao mesmo tempo, o ônibus segue sendo peça central da mobilidade. A NTU aponta que a demanda média nacional dos principais sistemas ainda gira em torno de 88% do nível pré-pandemia. Na prática, a cidade continua dependendo do motorista para funcionar, mas o profissional segue carregando no corpo e na cabeça uma parte pesada dessa engrenagem.

Sobre o autor

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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