Faltam quase 5 mil motoristas de ônibus em São Paulo, e salários já passam de R$ 4 mil

São Paulo pode concentrar a maior falta de motoristas de ônibus do Brasil. Uma estimativa baseada no tamanho da frota paulista aponta que o estado teria espaço para aproximadamente 4,9 mil profissionais, em um mercado que já oferece salários acima de R$ 4 mil e centenas de oportunidades de contratação.
Associações ligadas às empresas de transporte calculam que o déficit nacional pode passar de 20 mil motoristas somente no setor de ônibus. Como ainda não existe uma divisão oficial desse número por estado, foi considerada a participação paulista na frota brasileira para chegar a uma estimativa regional.
A planilha mais recente da Secretaria Nacional de Trânsito, referente a maio de 2026, registra 765.529 ônibus no Brasil. São Paulo aparece isolado na primeira colocação, com 187.380 veículos, o equivalente a 24,48% da frota nacional. Minas Gerais ocupa a segunda posição, com 97.152 ônibus, pouco mais da metade do total paulista.
Ao aplicar a participação de 24,48% sobre o déficit nacional de 20 mil profissionais, a projeção chega a 4.895 motoristas. O cálculo não representa um número oficial de postos desocupados, mas oferece uma dimensão aproximada da necessidade paulista, considerando que o estado possui a maior frota e a maior operação de ônibus do país.
A capital também concentra o maior sistema municipal brasileiro. Levantamentos do setor apontam uma frota próxima de 15 mil coletivos, enquanto cidades como Goiânia, Brasília, Belo Horizonte e Recife trabalham com números próximos de 3 mil veículos cada.
Os processos seletivos abertos reforçam essa demanda. No momento da consulta, a MobiBrasil anunciava 150 vagas para motorista na cidade de São Paulo. A Sambaíba mantinha outras 100 oportunidades efetivas, com salário entre R$ 4.000 e R$ 4.080 por mês.
Para concorrer às vagas da Sambaíba, o candidato precisa ter CNH nas categorias D ou E e curso atualizado de transporte coletivo de passageiros. Algumas seleções exigem experiência comprovada, enquanto outras empresas já começam a criar programas internos para preparar profissionais que possuem habilitação, mas ainda não trabalharam em ônibus.
A escassez não atinge apenas uma parte das empresas. Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte aponta que 53,4% das viações urbanas e metropolitanas relatam dificuldades para encontrar motoristas capacitados.
Entre os motivos citados no setor estão a aposentadoria dos condutores mais antigos, a baixa entrada de jovens, jornadas desgastantes, trânsito pesado, cobrança de passageiros e migração para caminhões, aplicativos e outras atividades. Em São Paulo, o volume de ônibus e as seleções com até 250 postos em apenas duas empresas mostram onde a procura por profissionais aparece com maior força.
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