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Concorrência desleal motorista aceita frete pela metade do preço e desequilibra o mercado

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Concorrência desleal motorista aceita frete pela metade do preço e desequilibra o mercado

A fase de pouco movimento tem levado prestadores de pequenos fretes a aceitar serviços menores para manter a van rodando. Em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, um motorista mostrou como está lidando com dias fracos, clientes pedindo desconto e propostas que nem sempre cobrem o custo do trabalho.

No serviço do dia, a missão era buscar um compressor a cerca de 17 quilômetros de casa. O valor acertado ficou próximo de 70% do que ele cobraria em um período com demanda melhor. Ainda houve redução de R$ 10 após a negociação, decisão tomada para evitar que a corrida fosse entregue a outro profissional.

Sofás, camas, colchões e objetos avulsos estão entre os chamados que aparecem com mais frequência. São cargas pequenas, mas o deslocamento continua exigindo combustível, tempo, manutenção do veículo e cuidado na retirada e na entrega. Quando existe escada, prédio alto, distância entre a van e a entrada ou necessidade de ajudante, o custo aumenta rapidamente.

Por isso, o motorista procura levantar todos os detalhes antes de informar o preço. Ele pergunta onde o material será retirado, qual é o destino, se há elevador, espaço para estacionar e dificuldade de acesso. Essa conversa evita cobrança extra na hora do serviço e reduz o risco de desentendimento com o cliente.

A disputa por preço também pesa. De acordo com o relato, algumas propostas são fechadas por menos da metade do valor apresentado inicialmente. Para quem trabalha por conta própria, baixar demais pode significar rodar sem lucro. O Índice de Frete Rodoviário da Edenred Repom apontou média nacional de R$ 7,99 por quilômetro em março de 2026, alta ligada principalmente ao diesel.

A estratégia adotada tem sido selecionar corridas que deixem alguma margem, ainda que pequena, e recusar mudanças pesadas ou operações complicadas quando a conta não fecha. Um transporte entre sobrado e apartamento, por exemplo, pode exigir ajudante, uso de elevador e carregamento por uma distância maior, fatores que precisam entrar no orçamento.

Com poucos pedidos confirmados, cada frete pequeno ajuda a movimentar o caixa. O desafio é equilibrar desconto, concorrência e despesas sem transformar um dia de trabalho em prejuízo.

Entre uma corrida e outra, ele acompanha novos orçamentos e espera uma viagem maior para melhorar o faturamento do mês. Até lá, a van segue atendendo demandas curtas na região, com negociação direta e cálculo feito antes de sair de casa com atenção redobrada.

Vídeo: Diário de Bordo de um Caminhoneiro (Jair José Pereira)

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.