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Caminhoneiro

O erro que tira caminhoneiro autônomo da estrada: não guardar dinheiro para emergências

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CAMINHONEIRO-AUTONOMO
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Um motor fundido pode parecer só um problema mecânico. Mas para o caminhoneiro autônomo, é muito mais do que isso. Pode ser o fim do negócio.

Boa parte dos caminhoneiros que trabalham por conta própria não tem reserva financeira nenhuma. O dinheiro que entra vai direto para combustível, prestação do caminhão, alimentação e as contas de casa. Sobra pouco. Às vezes, não sobra nada. E é exatamente aí que mora o perigo.

A retifica de um motor, dependendo do modelo do caminhão e da gravidade do problema, pode custar entre R$ 15 mil e R$ 60 mil ou mais. Quem não tem esse valor guardado precisa recorrer a empréstimo, financiamento ou, pior, parar completamente as atividades enquanto tenta juntar o dinheiro. E caminhão parado é prejuízo na certa sem rodar, não há frete, e sem frete, não há renda.

O problema se agrava porque muita gente subestima o desgaste do motor. Trabalhar com óleo vencido, ignorar a temperatura do motor subindo ou deixar de fazer a manutenção preventiva por falta de dinheiro são erros que aparecem na conta depois, geralmente de forma muito mais cara.

Consertar um caminhão pode custar mais do que muitos conseguem pagar

Existe uma lógica simples que os caminhoneiros mais experientes conhecem bem: cada quilômetro rodado precisa contribuir para um fundo de reserva. Não precisa ser muito. Separar entre R$ 0,05 e R$ 0,10 por quilômetro rodado já faz diferença ao longo dos meses. Quem roda 10 mil km por mês e guarda R$ 0,08 por km acumula R$ 800 mensais quase R$ 10 mil em um ano. Não é o suficiente para qualquer problema, mas já é uma almofada para começar.

O que acontece na prática é diferente. O frete vem, o caminhoneiro recebe, paga o que deve e gasta o restante. Não há planejamento. E quando o problema aparece, a saída é o banco com juros altos, parcelas pesadas e um endividamento que pode levar anos para ser quitado, se for quitado.

Tem casos em que o caminhoneiro perde o caminhão por não conseguir manter as parcelas enquanto o veículo está parado na oficina. Outros acabam vendendo o caminhão por um preço ruim só para quitar a dívida e ficam sem o principal instrumento de trabalho. É uma espiral que começa com um problema mecânico e termina com a perda de tudo que foi construído em anos de estrada.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.