Caminhoneiro ganha em média R$ 2,7 mil e pode perder tudo durante sequestro do Pix

O motorista de caminhão contratado pelo regime CLT recebe, em média, R$ 2.703,60 por mês para uma jornada de 44 horas semanais. O valor considera o salário-base e não inclui horas extras, adicional noturno ou diárias. Os dados foram calculados pelo Portal Salário com registros do Caged entre junho de 2025 e maio de 2026.
É uma remuneração apertada para uma profissão que passa dias longe de casa e trabalha exposta a roubos de carga, falsas ofertas de frete e abordagens armadas. Além do caminhão e da mercadoria, criminosos também querem o dinheiro guardado na conta bancária do motorista.
Um levantamento em notícias e registros policiais localizou pelo menos 10 caminhoneiros sequestrados e obrigados a fazer transferências pelo Pix desde 2022. O número não representa o total do Brasil. Ele reúne apenas vítimas identificadas em fontes abertas, sem contar operações que não divulgaram quantos motoristas foram atacados.
Em setembro de 2023, três caminhoneiros foram libertados de um cativeiro em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, dois homens presos admitiram que recebiam os depósitos das vítimas. Cartões bancários também foram encontrados no imóvel.
Em junho de 2025, um motorista foi cercado por criminosos na BR-101, em Pernambuco. Ele transportava fertilizantes quando foi levado para um canavial, teve as mãos amarradas e perdeu R$ 3,4 mil por Pix. A carreta e a carga, avaliadas em R$ 51 mil, também foram roubadas.
Outro caso foi registrado em fevereiro de 2026, em Alagoinhas, na Bahia. A vítima ficou quatro dias em cativeiro, sofreu agressões e foi forçada a transferir dinheiro para contas ligadas ao grupo. O caminhão foi levado para Sergipe e recuperado durante a investigação.
Em julho de 2026, um caminhoneiro sequestrado durante uma parada para jantar em Mato Grosso teve mais de R$ 30 mil retirados de suas contas. Ele foi mantido em uma área de mata, ameaçado com armas e também teve o caminhão levado. A polícia resgatou o motorista e recuperou o veículo.
Parte dos ataques começa com anúncios falsos em aplicativos e sites de frete. O motorista chega ao endereço indicado acreditando que vai buscar uma carga, mas encontra homens armados. Durante o cativeiro, os bandidos tentam esvaziar contas, contratar empréstimos e pedir dinheiro aos familiares.
O Sinesp publica números de roubo de carga e outros crimes, mas não oferece um filtro que junte profissão da vítima, sequestro e uso do Pix. Ainda não existe uma contagem nacional capaz de mostrar quantos caminhoneiros tiveram o salário ou as economias levados dessa forma.
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