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Caminhoneiro

Falta de motoristas já deixa caminhões parados e ameaça indústria em Santa Catarina

4 minutos de leitura
Sorocaba foi palco de um encontro de caminhoneiros no último domingo, dia 01.
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A falta de motoristas profissionais deixou de ser apenas uma dificuldade de contratação e passou a atingir diretamente a produção das empresas. Em Santa Catarina, transportadoras já mantêm caminhões parados porque não encontram profissionais habilitados e experientes para assumir as viagens.

Uma estimativa apresentada por representantes do transporte catarinense aponta que cerca de 8 mil caminhões estariam sem rodar no estado por falta de condutores. O cálculo foi feito com informações reunidas por sindicatos ligados ao setor.

Para a indústria, o problema aparece quando a mercadoria está pronta, mas não existe motorista disponível para realizar a entrega. Isso pode provocar atrasos, perda de contratos, aumento do frete e falta de matéria-prima nas linhas de produção.

O prejuízo também pesa sobre a transportadora. Um caminhão financiado, segurado e revisado continua gerando despesas mesmo quando permanece estacionado no pátio.

Número de motoristas habilitados caiu

Um levantamento baseado em dados da Senatran apontou que o Brasil passou de aproximadamente 5,6 milhões de condutores habilitados nas categorias C e E, em 2015, para 4,4 milhões em 2025. A redução foi de cerca de 1,2 milhão de habilitados.

Esse número exige cuidado. Ele representa pessoas com habilitação nas categorias pesquisadas, não necessariamente 1,2 milhão de caminhoneiros que abandonaram empregos ativos. Parte desses condutores pode ter mudado de categoria, deixado de renovar a CNH ou nunca ter trabalhado profissionalmente no transporte.

Mesmo com essa diferença, os dados mostram que a reposição de profissionais não acompanha o crescimento da frota e a saída dos motoristas mais antigos.

Uma pesquisa da CNT realizada em 2021 mostrou que 65,1% das empresas entrevistadas relatavam falta de motoristas profissionais. Já um monitoramento divulgado em janeiro de 2026 apontou que 44,6% das transportadoras de cargas estavam com vagas abertas para essa função. São pesquisas diferentes, feitas em períodos e com perguntas distintas.

A estimativa de um déficit nacional de 120 mil motoristas aparece em levantamentos e análises do mercado. Entretanto, não foi localizada uma base pública única da CNT que confirme esse número como um cálculo oficial consolidado.

Profissão perdeu atratividade

O problema não está somente na falta de pessoas com CNH adequada. Muitos profissionais habilitados não querem enfrentar a rotina oferecida por parte das empresas.

Entre as reclamações aparecem estradas ruins, risco de roubo, longos períodos longe da família, dificuldade para encontrar banheiros, falta de pontos seguros para descanso e pressão por entregas rápidas.

O salário e a forma de pagamento também influenciam. Transportadoras que oferecem caminhões conservados, escala organizada, respeito ao descanso e remuneração clara conseguem atrair profissionais com mais facilidade. Outras mantêm vagas abertas porque os motoristas conhecem sua reputação e evitam o processo seletivo.

A CNT relaciona a escassez à responsabilidade elevada, às condições adversas de trabalho, à baixa atratividade da carreira e à necessidade de qualificações específicas, como CNH nas categorias D ou E e cursos especializados.

Formação cresce, mas não resolve tudo

O SEST SENAT mantém programas para motoristas que já possuem CNH D ou E, incluindo aulas práticas e treinamento em simuladores. A instituição também oferece cursos para produtos perigosos, cargas indivisíveis e outros tipos de operação.

Em Joinville, a PX criou uma plataforma para aproximar motoristas e transportadoras. O profissional pode acessar oportunidades e escolher contratos, enquanto as empresas procuram condutores qualificados para períodos de maior movimento. A companhia foi fundada em 2019 e informa ter cadastrado centenas de milhares de motoristas.

A tecnologia pode reduzir o tempo de contratação, mas não produz um motorista experiente da noite para o dia. Conduzir uma carreta moderna exige domínio dos sistemas eletrônicos, planejamento de rota, conferência da carga e conhecimento das regras de segurança.

Também existe uma diferença importante nos números apresentados pela indústria. O Mapa do Trabalho Industrial indica que Santa Catarina precisará qualificar 224,9 mil trabalhadores em logística e transporte entre 2025 e 2027. Isso inclui motoristas, armazenistas, almoxarifes, técnicos de produção e profissionais que já trabalham e precisarão de atualização. Não são 225 mil novas vagas apenas para caminhoneiros.

Formar novos motoristas é parte da saída. A outra parte é impedir que os profissionais atuais abandonem a estrada.

Sem melhoria nas condições de trabalho, a escola prepara o motorista enquanto a própria rotina da profissão empurra outro para fora. O resultado é uma esteira ao contrário: caminhões cada vez mais modernos entram na frota, mas faltam pessoas dispostas a ocupar a cabine.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.