Transportadoras procuram caminhoneiros, mas salário pode estar afastando profissionais
A falta de caminhoneiros virou assunto frequente entre transportadoras. Empresas dizem encontrar dificuldade para preencher vagas, principalmente para viagens longas. Mas os números levantam outra pergunta: será que faltam profissionais ou estão faltando salários capazes de convencer o motorista a voltar para a estrada?
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram que o Brasil tinha 713.229 motoristas de caminhão com vínculo formal em 2024. O número, inclusive, cresceu 1,7% em relação a 2023. A própria agência apontou que apenas 14% desses trabalhadores tinham mais de 55 anos, percentual menor que o observado em países como Estados Unidos e Austrália.
O salário, porém, ajuda a entender parte da discussão. Em 2024, a remuneração mediana do motorista de caminhão ficou em R$ 3.120 por mês. Um quarto dos profissionais recebeu até R$ 2.562, enquanto apenas 10% ficaram acima de R$ 5.136. Esses valores incluem salário e outros adicionais considerados pela ANTT.
Quem entra agora na profissão também encontra valores relativamente baixos diante da responsabilidade do trabalho. Dados do Novo Caged reunidos pela ANTT mostram que o salário mediano de admissão chegou a R$ 2.701 em dezembro de 2025. Um ano antes, estava em R$ 2.527.
Dirigir um caminhão profissionalmente não significa apenas ficar atrás do volante. Dependendo da operação, o trabalhador passa dias longe de casa, enfrenta trânsito, horários apertados, risco de acidente, locais ruins para descanso e responsabilidade por veículos e cargas que podem valer centenas de milhares de reais.
O SEST SENAT reconhece que existe escassez de motoristas profissionais e mantém programas para atrair e formar novos trabalhadores. A entidade informa que mais de 6 mil CNHs foram entregues por suas iniciativas e mais de 3,9 mil novos motoristas conseguiram emprego depois da mudança de categoria.
Os próprios dados mostram, porém, que ainda existe um contingente grande de caminhoneiros trabalhando no país. Isso coloca salário, benefícios, jornada, tempo longe da família e condições oferecidas pelas empresas no centro da discussão sobre por que algumas vagas continuam abertas.
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