Prazo apertado pode levar caminhoneiros e motoristas de ônibus a arriscar mais nas BRs

Chegar no horário pode parecer apenas uma questão de cumprir o serviço. Para quem dirige um caminhão carregado ou um ônibus por centenas de quilômetros, porém, um prazo apertado pode colocar o motorista diante de uma escolha perigosa: parar para descansar ou continuar rodando para tentar recuperar o tempo perdido.
Congestionamento, obra na pista, acidente, chuva, carga e descarga demoradas ou simplesmente uma viagem que levou mais tempo que o previsto podem desmontar o cronograma. O problema aparece quando o relógio continua correndo e o motorista sente que precisa compensar o atraso na estrada.
Essa pressão não autoriza aumentar a velocidade, fazer ultrapassagens arriscadas ou deixar o descanso de lado. A própria Lei 13.103, que trata dos motoristas profissionais de cargas e passageiros, determina que eles respeitem os limites de direção e os períodos de repouso.
A legislação vai além. Ela permite que a remuneração do motorista considere distância percorrida, tempo de viagem ou quantidade transportada, mas coloca uma trava clara: esse modelo não pode comprometer a segurança rodoviária nem permitir a violação das regras de jornada. É um sinal de que produtividade e pressa não podem passar na frente da segurança.
Para quem dirige caminhão, o Código de Trânsito proíbe permanecer ao volante por mais de 5 horas e 30 minutos seguidas e prevê 30 minutos de descanso dentro de cada período de seis horas de condução. No transporte rodoviário de passageiros, devem ser observados 30 minutos de descanso a cada quatro horas de direção, com possibilidade de fracionamento prevista em lei.
Dentro de 24 horas, o motorista profissional também deve observar pelo menos 11 horas de descanso, seguindo as condições previstas na legislação. A lei ainda diz que transportadoras, embarcadores e outros responsáveis pela operação não podem ordenar que o motorista comece uma viagem sem cumprir o período obrigatório de repouso.
Não é uma preocupação apenas no papel. A Polícia Rodoviária Federal realiza fiscalizações específicas sobre jornada e descanso. Em uma operação nacional realizada em 2023, cerca de 90 mil motoristas foram fiscalizados e aproximadamente 32 mil condutores acabaram autuados, segundo a PRF.
O cansaço também está diretamente no radar da ANTT. A agência afirma que os Pontos de Parada e Descanso nas rodovias existem justamente para reduzir a fadiga e ajudar na prevenção de acidentes envolvendo motoristas profissionais de cargas e passageiros. Em janeiro de 2026, havia oito estruturas desse tipo entregues em rodovias federais concedidas, com outras 23 previstas no planejamento para 2026 e 2027.
Para o caminhoneiro, perder algumas horas pode significar atraso no frete, mudança no horário da descarga e uma sequência inteira de compromissos afetados. Para o motorista de ônibus, existe ainda uma grade de viagem que envolve passageiros, paradas e horários programados. Mas nenhum horário perdido pode ser recuperado colocando um veículo de dezenas de toneladas, ou um ônibus cheio de passageiros, além do limite seguro na rodovia.
A conta de alguns minutos ganhos na BR pode ficar cara demais quando a pressa encontra sono, pista molhada, curva, caminhão pesado ou uma ultrapassagem calculada no limite.
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